sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PODER x PODER!

“Na Bahia eu sou o poder. Posso estar no governo ou na oposição, o Poder gira em torno de mim. Portanto estou sempre no Poder” (ACM a um repórter da ISTOÉ – Revista ISTOÉ, 20.12.2006)

Que tristeza ver que o ser humano nunca entendeu o que Jesus queria dizer sobre poder. Há, pelo menos, duas palavras usadas no Novo Testamento para poder. Uma é "exoussia", que tem mais a ver com direito, autoridade estabelecida e assim poder estabelecido. Quando Jesus disse: “toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”, em S. Mateus 28.18, encontra-se a palavra "exoussia" como autoridade de fato e de direito, estabelecida e conquistada sobre todo o Cosmo.

Ao narrar a salvação e a remissão, João o apóstolo afirma em seu evangelho: “mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus a saber os que creem em seu nome”. E aqui novamente surge a palavra poder como "exoussia". A salvação foi um direito adquirido aos que pela fé, crêem no nome de Jesus. É direito que se firma. É poder que é emanado do ser Deus para tornar outro ser, um filho de Deus, participante da salvação eterna.

Mas há outro nome usado para "poder". É o denominado "dynamis". Este o encontramos em várias passagens dos evangelhos. O poder "dynamis", sugere poder em dinamismo. Poder que é usado para servir, testemunhar, amar, fazer alguma coisa boa acontecer, o "dynamis" foi nos dado como afirma Lucas em Atos 1.8: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas...”. Aqui poder é "dynamis", não é "exoussia". O poder que Jesus outorga a sua igreja não é o "exoussia", mas o "dynamis".

Isso me leva a pensar como estamos longe de desenvolver este poder dinâmico. Porque além de ser algo dinamitador, ele só acontece através de nossos atos e palavras. Esquecemos que o "poder" que Deus quer que sua igreja manifeste é o "dynamis". Atos e palavras que se dinamizam através da vida, do existir de cada um, da cada profissão, dos dons de cada um, suas habilidades, seus talentos.

O Espírito Santo não se manifesta em um poder guardado ou estático. Ledo engano. Pura ignorância textual, bíblica e teológica. Para ser poder de Deus precisa estar envolvido com o fazer, com a dinâmica da vida. Poder que é dado é poder que é vazado, distribuído, concedido, de graça, não é comprado, nem vendido.

Extirpemos de uma vez por todas a idéia tão infantil de poder como direito e desenvolvamos poder como dinâmica de serviço, não como pensam a maiorida dos políticos e sim como revela as Santas Escrituras.

Pastores precisam parar de ensinar aquilo que Cristo nunca ensinou. Os púlpitos carecem de homens que se entregam ao "dynamis". Pastores e ministros servem. Não são servidos. O E´spírito Santo jamais é dado pelo "exoussia", mas para o serviço. Há muitos homens e mulheres que desejam o "exoussia" como um fim em si mesmo, a fim de se envolverem pelo "torpor" de uma fé mágica e hipnótica.

Um dos poucos que entendeu bem isso foi São Franscisco de Assis. Disse não ao dinheiro da pompa da igreja na idade média e decidiu servir. Servir com o que Deus havia dado a ele: o sorriso, o estar com gente desgraçada, o ser empático com os menores e marginalizados.

Pastores e Bispos necessitam compreender que foram trazidos a existência para dinamizarem a vida de Deus e não para se auto-protegerem como numa redoma de vidro afirmando como o infeliz ACM: “Eu sou o poder”.

O poder que Jesus nos concedeu foi o de botar os pés na lama, na proporção de cada um, segundo o dom de cada um. Qualquer cristão que não entender isso, não sabe o que é ser cristão, o que é servir, se doar, renunciar e assim nunca soube o que é amar.

Precisamos de uma conversão total. É ridículo, o que a maioria dos pastores evangélicos fazem em época de eleição pastoral em suas igrejas. Por entenderem que Deus deu-lhes um "poder", acabam por manipular pessoas, pressionar outras, para votarem em si mesmos a fim de que tenham a estabilidade tão desejada.

A igreja, mal orientada, ignorante e infantilizada, cai no engodo.

Basta de politicagem na igreja, já temos muito fora dela. ACM não entendeu nada. Cinquenta anos como coronel da Bahia, achou que este poder seria o de se estabelecer como dono dela. Ninguém pode tomar o poder que é de Deus e de Cristo para si. Ele não divide isso com ninguém. Satanás tentou e caiu.

Ah, quantos coronéis temos nas denominações. Igrejas inteiras fazem veneração a bispos, presbíteros e pastores por anos a fio que dominam seus rebanhos. Estes homens precisam deixar as igrejas para que o dynamis do Espírito Santo entre.

Nunca souberam o que é o poder de Deus.

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