terça-feira, 22 de junho de 2010

Humildade: o princípio do discipulado de Jesus

Jesus nos chama a um relacionamento que se desenvolve nos trilhos do que chamamos de discipulado. Porém uma das fortes marcas do discipulado de Jesus é a humildade. É importante que neste processo, onde todos nós estamos inseridos, possamos compreender o que é a humildade como virtude.

Se discipulado envolve a humildade logo de início devemos lembrar que o discípulo é um “seguidor”. Sim, o seguidor é aquele que anda “após”. Se não é seguidor então somente pode ser um “batedor”. O batedor nunca anda “após”, mas vai sempre à frente. Se é seguidor não pode ser um descobridor, nem um pesquisador autônomo. Ele é apenas um aprendiz. A virtude da humildade é que seja onde for o discípulo sempre se considera um aluno, um aprendiz, nunca uma pessoa completa e madura. Ele está sempre aprendendo.

Assim podemos nos perguntar: “E como é viver com humildade?” Para viver neste espaço, o discípulo tem que aprender a aceitar a disciplina. Nesse andar “após Jesus”, o discípulo precisa aceitar até mesmo fortes repreensões sem se escandalizar e sem abandonar a caminhada (Mateus 16:21-24). O discípulo não pode ter melindres. Não pode ser um “não-me-toques”. No discipulado a “ordem natural das coisas” é subvertida. Aprende-se que a ética do reino de Jesus é a contracultura da presente ordem de coisas (Mateus 20:25-28). Deve-se ficar claro que o lugar do discípulo é após Jesus como humilde aprendiz.

Mas também nesta caminhada devemos pensar no que evitar. Quando não tornamos nosso discipulado uma caminhada de humildade, podemos acabar por absorver a idéia de que somos melhores que outros e estarmos a um passo de sermos vistos como sectaristas e legalistas. Muito facilmente o discípulo pode confundir zelo com fanatismo, fidelidade com legalismo, paixão com revanchismo e coragem com ódio (Lc 9:55-56).

Hoje em dia não temos muitos discípulos na plenitude do termo. Temos sim, muitos disci-dentes. Gente que morde e que se morde apenas por receberem instruções, repreensões e questionamentos. O aprendizado para a obra de Deus dispensa os critérios de eliminação por erros. As instruções já estão dadas. Os perigos já estão apontados. Os métodos já estão definidos. (Mateus 10:5-42).

Freqüentemente nós precisamos sempre olhar para dentro e para fora de nós. A humildade deve ser nossa “pedra-de-toque”. Onde falta humildade, o Espírito Santo não está. Porém onde vemo-la presente em nós ou em outros, com toda certeza o discipulado de Jesus está se concretizando a cada dia, mesmo quando não esteja com o “jeito” e a “cara” que gostaríamos que tivesse. Isso não importa. O que importa é se este discipulado está sendo regado pela graça e pela humildade divinas. Muitos que acham que estão dentro estão fora e muitos que pensam estarem fora, estão dentro.

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