sábado, 26 de julho de 2008

TOCANDO COM FÉ

No Evangelho de São Marcos 5.21 a 34, entre o pedido de Jairo e a ida de Jesus a sua casa, há um interlúdio e a multidão vai com ele e um milagre acontece. A situação de uma mulher, sem nome, uma qualquer da multidão que possuía uma hemorragia por pelo menos doze anos. O texto bíblico afirma que ela sofrera na mão dos médicos, gastara tudo o que tinha e a sua situação era pior do que antes. Porém essa mulher teve a coragem de buscar em Jesus a cura de sua vida. Para isso ela necessitou romper com paradigmas de seu tempo. Primeiro, foi a sua condição social de vergonha, alienação e desprezo daqueles que a rodeavam. Como judia e mulher, jamais era permitido que tocasse em um homem, então, ela quebrara este paradigma. Esse toque foi seu último recurso. Pensando neste episódio, quero retirar algumas verdades para nosso consolo. A primeira verdade: TODOS NÓS TEMOS UMA FERIDA CRÔNICA. Uma hemorragia que só Jesus pode curar. São as experiências positivas e negativas que trazemos desde o nosso berço. Dentre elas nossas falhas e erros, as quais são feridas que não cicatrizam se não forem tratadas. Além disso, o fluxo de sangue, simboliza uma série de feridas físicas, emocionais e espirituais que nos acometem. A segunda verdade: TODOS NÓS SOMOS IGUAIS. A graça de Deus não nos isenta do sofrimento. Aquela mulher era do povo e estava no meio do povo. Não há nenhum ser humano isento de sofrimentos, mais ou menos santo, mais ou menos privilégiado. Todos são direta ou indiretamente envolvidos pela vida que se degenera, que se interrompe, que é passiva do infortúnio. A terceira verdade: TODOS NÓS SOMOS SINGULARES. Não há ninguém como nós. Embora sejamos iguais por vivermos as consequências da vida e de seus infortúnios, somos singulares para Deus por que Ele quer nos tratar de maneira singular e única. Mesmo se nos compararmos àquela mulher que sequer foi lembrada pelo seu nome. Todos se esbarravam em Jesus, mas só ela tocou nele com fé. A melhor e contínua notícia é esta: Jesus deixa-se ser tocado. Assim, nós devemos reter as seguintes lições: Ao tocar em Jesus, nos aproximemos dEle com temor e tremor. Ao tocar em Jesus, nos prostremos e o adoremos, como Senhor. Diante de Jesus, estejamos abertos para o verdadeiro Deus. Sinceridade é tudo. Honestidade conosco mesmo é essencial. Não se esqueça que quem lhe ouve e trata de você é Ele e não as pessoas que geralmente podem fazer um julgamento temerário de você mesmo. Faça como a mulher que declarou toda a verdade (Marcos 5.33). Quais os resultados deste encontro? A cura de Jesus se processou de 3 maneiras: Jesus promove cura física (5.27). Jesus redime o seu corpo: "Fica livre do teu mal". Jesus promove cura emocional (5. 34b). Ele redime a sua mente, sua psiquê: "Vai-te em paz". E ainda: Jesus promove uma cura espiritual (5. 34c). Ele redime a sua vida por um nascimento do alto. Ele afirma: A tua fé te salvou. Enquanto aqui, sempre estaremos vivenciando esta experiência. Todos os dias, sempre necessitamos destas curas e destes toques. A conversão nunca é completa, inteira, porque estamos sempre envolvidos pelas experiências, as mais inusitadas e mais frustrantes. Precisamos aprender a chegar perto de nosso Pantocrator (Todo-Poderoso). Ele nos sarará, sempre, pelo amor que tem por nós.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

SER FRACO OU SER FORTE, EIS A QUESTÃO...

Quando essa questão foi posta para o Apóstolo Paulo e ele teve que defender sua autoridade perante os Cristãos de Corinto, ele respondeu dessa forma: "gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza" (II Co. 11:30). Glória na fraqueza? Sem dúvida, a humilde realização de nossas fraquezas é benéfica para cada um de nós, mas como podemos servir a Igreja dessa maneira? Ao mesmo tempo, o santo Apóstolo insiste em sua resposta e explica: "Porque quando estou fraco então sou forte" (II Co. 12:10).

Porém isso não é um paradoxo, nem jogo de palavras, nem contradição. O Apóstolo não mostra traços de ser "imaginativo" ou "mordaz." Ele escreve da plenitude de seu coração, de uma profunda convicção. Seu significado é direto. Ele fala do princípio Cristão de vida.

O Cristianismo transtorna os conceitos usuais dominantes no mundo, e em particular o conceito de poder. No Cristianismo poder é o que "parece para o mundo ser impotência, o que aparece para a visão míope do mundo como sendo uma desprezível fraqueza. Fraqueza é a lei da nova vida e ação, sob a qual bandeira o Evangelho declara guerra ao mundo. "Bem aventurados são os pobres de espírito. Bem aventurados os que choram. Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra."

E assim, duas leis contraditórias de vida põem-se uma contra a outra, dois reinos: o reino dos mansos e o reino do poder. O reino dos mansos é obrigado a fazer guerra contra o reino do poder, por estar localizado no meio e cercado por todos os lados pelo reino do poder e força.

A Igreja é mansa. Por essa razão ela tem necessidade de proteção e defesa. Só que os meios de defesa dela devem ser bons. O cuidar da Igreja foi confiado pelo Senhor ao próprio povo da Igreja, ou seja, para cada Cristão. A esse respeito, nós estamos retornando aos tempos dos primeiros Cristãos. Nossos tempos nos chamam todos para um padrão de sacrifício consciente e constante pela Igreja, cada um com seus talentos e meios. Porém o principal poder do serviço não está em nosso conhecimento ou habilidades e chamados. O principal poder está naquela "fraqueza através da qual o poder de Deus vem habitar."

Cada um de nós tem um lugar na comunhão da Igreja e a forma de participação no serviço da Igreja é variada e plural. Porém isso, não nos dá o "poder" de decidirmos sobre o que é melhor ou pior, nem mesmo de sermos cismáticos, ou fragmentarmos o Corpo de Cristo como bem achamos ou sentimos.

O Apóstolo escreve: "Cada um fique na vocação em que foi chamado." Traduzindo essa citação em conceito contemporâneo, nós podemos dizer que não existe uma profissão boa construtiva, e uma posição social na qual a pessoa boa não possa de tempos em tempos com seu bom bocadinho para o trabalho da Igreja...

Deve-se ver a Igreja como o Corpo único de Cristo, um organismo único, uma única substância. A individualidade de cada pessoa é o plano confiado a ela. Para ela trabalhar, purificar e produzir frutos. Trabalhando em nós mesmos, nós trabalhamos para o todo, para a Igreja inteira, para sua Cabeça, o Salvador sem ser. Deixando-se o plano fora de controle, negligenciado-o, condenando-o, nós trazemos dano não só para nós mesmos, mas também para a Igreja. Não juntando o que é da nossa alma, nós espalhamos o que é da Igreja.

Portanto, cabe aqui uma posição de contrariedade a todo e qualquer espírito que não parta da fraqueza e cabe dizer que os dons como são plurais, são exercidos não somente dentro e para a comunidade de fé, mas para todo o mundo, para todo o cosmo.

Só podemos servir e viver se aprendemos a viver no espírito de Cristo, é na fraqueza e não no poder humano. É nada tendo, mas possuindo tudo. Por isso o empreendorismo eclesiástico megalomaníaco sempre ficará de fora do verdadeiro Reino de Deus.
[adaptado de Michael Pomazansky]

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Abrindo a porta do curral das ovelhas

Há muito tempo, não havia notado a função do porteiro na narrativa que Jesus faz do Pastor e suas ovelhas no capítulo dez do evangelho de João. Ele afirma que para que as ovelhas saiam do curral, é necessário que o porteiro, que vê vir o pastor abra a porta e assim elas sairão para junto do Pastor e assim haverá um só rebanho e um só pastor. E fiquei a me inquirir: "Quem é o porteiro"? Então logicamente entendi: É a igreja! São os líderes religiosos! Pois são eles os guardiães das ovelhas de Cristo. Cabe então abrir a porta das ovelhas. É uma tarefa muito simples, não é? Abrir a porta para que elas saiam e encontrem com o Sumo-pastor, parece simples, mas não é. Porque na maioria das vezes, os "porteiros", acabam pensando que o curral é deles e as ovelhas também. E quando Jesus aparece para chamar as ovelhas, acabam não abrindo, como deveriam, ou não abrem mesmo. As ovelhas não são deles, são de Cristo. A tarefa de abrir a porta é uma tarefa muito dificíl, pois aí está envolvida o denominacionalismo, o preconceito, e uma porção de coisas. Especialmente o egoísmo e a avareza dos líderes. É, abrir a porta do curral para que as ovelhas encontrem as pastagens verdejantes tal como Davi no Salmo 23. É a tarefa de não querer aparecer e somente ser um facilitador. Abrir a porta é vencer o ególatra que está dentro de nós e o espírito messiânico que escraviza e tende a nos fazer mais donos da igreja e das ovelhas do que o próprio Jesus, que deu a sua vida por elas e o sangue delas requererá de nossas mãos.
Kyrie eleison.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

ESTÃO MUDANDO O RUMO....

“A principal tarefa da igreja não é realizar muito trabalho, nem alistar grande número de membros, nem levantar muito dinheiro. Sua principal missão é moldar vidas à imagem de Jesus Cristo. E as pessoas não podem ser talhadas da massa bruta por atacado, mas uma por uma.” Waylon B. Moore.