segunda-feira, 21 de julho de 2008

SER FRACO OU SER FORTE, EIS A QUESTÃO...

Quando essa questão foi posta para o Apóstolo Paulo e ele teve que defender sua autoridade perante os Cristãos de Corinto, ele respondeu dessa forma: "gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza" (II Co. 11:30). Glória na fraqueza? Sem dúvida, a humilde realização de nossas fraquezas é benéfica para cada um de nós, mas como podemos servir a Igreja dessa maneira? Ao mesmo tempo, o santo Apóstolo insiste em sua resposta e explica: "Porque quando estou fraco então sou forte" (II Co. 12:10).

Porém isso não é um paradoxo, nem jogo de palavras, nem contradição. O Apóstolo não mostra traços de ser "imaginativo" ou "mordaz." Ele escreve da plenitude de seu coração, de uma profunda convicção. Seu significado é direto. Ele fala do princípio Cristão de vida.

O Cristianismo transtorna os conceitos usuais dominantes no mundo, e em particular o conceito de poder. No Cristianismo poder é o que "parece para o mundo ser impotência, o que aparece para a visão míope do mundo como sendo uma desprezível fraqueza. Fraqueza é a lei da nova vida e ação, sob a qual bandeira o Evangelho declara guerra ao mundo. "Bem aventurados são os pobres de espírito. Bem aventurados os que choram. Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra."

E assim, duas leis contraditórias de vida põem-se uma contra a outra, dois reinos: o reino dos mansos e o reino do poder. O reino dos mansos é obrigado a fazer guerra contra o reino do poder, por estar localizado no meio e cercado por todos os lados pelo reino do poder e força.

A Igreja é mansa. Por essa razão ela tem necessidade de proteção e defesa. Só que os meios de defesa dela devem ser bons. O cuidar da Igreja foi confiado pelo Senhor ao próprio povo da Igreja, ou seja, para cada Cristão. A esse respeito, nós estamos retornando aos tempos dos primeiros Cristãos. Nossos tempos nos chamam todos para um padrão de sacrifício consciente e constante pela Igreja, cada um com seus talentos e meios. Porém o principal poder do serviço não está em nosso conhecimento ou habilidades e chamados. O principal poder está naquela "fraqueza através da qual o poder de Deus vem habitar."

Cada um de nós tem um lugar na comunhão da Igreja e a forma de participação no serviço da Igreja é variada e plural. Porém isso, não nos dá o "poder" de decidirmos sobre o que é melhor ou pior, nem mesmo de sermos cismáticos, ou fragmentarmos o Corpo de Cristo como bem achamos ou sentimos.

O Apóstolo escreve: "Cada um fique na vocação em que foi chamado." Traduzindo essa citação em conceito contemporâneo, nós podemos dizer que não existe uma profissão boa construtiva, e uma posição social na qual a pessoa boa não possa de tempos em tempos com seu bom bocadinho para o trabalho da Igreja...

Deve-se ver a Igreja como o Corpo único de Cristo, um organismo único, uma única substância. A individualidade de cada pessoa é o plano confiado a ela. Para ela trabalhar, purificar e produzir frutos. Trabalhando em nós mesmos, nós trabalhamos para o todo, para a Igreja inteira, para sua Cabeça, o Salvador sem ser. Deixando-se o plano fora de controle, negligenciado-o, condenando-o, nós trazemos dano não só para nós mesmos, mas também para a Igreja. Não juntando o que é da nossa alma, nós espalhamos o que é da Igreja.

Portanto, cabe aqui uma posição de contrariedade a todo e qualquer espírito que não parta da fraqueza e cabe dizer que os dons como são plurais, são exercidos não somente dentro e para a comunidade de fé, mas para todo o mundo, para todo o cosmo.

Só podemos servir e viver se aprendemos a viver no espírito de Cristo, é na fraqueza e não no poder humano. É nada tendo, mas possuindo tudo. Por isso o empreendorismo eclesiástico megalomaníaco sempre ficará de fora do verdadeiro Reino de Deus.
[adaptado de Michael Pomazansky]

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