quinta-feira, 10 de abril de 2008

LEGALISMO TRANSFIGURADO EM GRAÇA

Vivemos dias muito confusos. Creio que se deve ao fato de ouvirmos uma mensagem evangélica que questiono se Jesus ensinou tal coisa em seus dias. De um lado encontramos os detentores da teologia liberal que descrêem totalmente da Bíblia como Palavra de Deus e estão escondidos nas denominações histórias e tradicionalistas. Por outro, encontramos os apaixonados pela teologia fundamentalista que ao invés de promover uma libertação espiritual e social para a humanidade pós-moderna, acabam por tornar o evangelho um sistema opressor que quando não castra a natureza do ser humano, o leva à delinqüência humana em todos os seus níveis.
Às vezes penso que a igreja evangélica de ramo ocidental, perdeu a convicção do amor inextinguível de Cristo por nós. Pregamos e pregamos e cansamos de pregar que a salvação é pela graça, graça incondicional, sem limites. Dizemos às pessoas: “Venha a Jesus, não importa o seu estado, a sua condição, se você já estrupou ou matou, o que importa é que você venha”. Mas depois que o camarada está dentro do sistema, se ele for acometido de um pecado mais grave ou público, expomos o tal irmão e quando não, fazemos pior, se for pastor o despojamos do ministério. Retiramos dele aquilo que dizemos crer que é irrevogável para Deus. (Rm 11.29).
Esta graça que se diluiu e se desvirtuou, acaba sendo anunciada dentro da grande maioria das igrejas locais somando-a aos méritos próprios. As pessoas são acolhidas em alguns casos e dizem a elas: "Olha a questão é que Deus está vendo o seu coração. Quanto mais você ofertar a Ele, mais receberá bênçãos". O que estou dizendo é que não só podemos encontrar essa pregação nas comunidades neo-petencostais, mas também dentro das igrejas históricas. O que acaba por parecer que estamos trocando a graça pelo cheque pré-datado, pelo dinheiro pouco ou muito que isso pode trazer alívio e refrigério espiritual. São “correntes dos sete dias”, cultos de oração intermináveis, vigílias sem sentido, jejuns forçados. Tudo em nome do dinheiro que na maioria das vezes, vai para o bolso de quem menos precisa.
A igreja evangélica está vendendo as mesmas indulgências de Tetzel. Vende-se a graça em prol do bem estar de muitos líderes religiosos que se enraízam em determinadas denominações construindo seus castelos feudais eclesiásticos. Este pecado também é visto como “coronelismo eclesiástico”. Podemos pensar que esse sistema existe somente entre as de governo episcopais, e “apostólicos”, mas nos enganamos. Os coronéis evangélicos também existem entre as de governo congregacional ou presbiterial. Só que estão mais escondidos. Acredito que estes são mais covardes. Alguns se escondem atrás de um conselho de igreja local, outros se camuflam nas juntas teológicas e comissões. Mas eles estão lá. Como os fariseus se escondiam por entre as multidões, para que usando-as manietassem e matassem o rei da glória.
A graça é antes de tudo incondicional. Ela libera o imensurável e inextinguível amor eterno de Deus. A cada dia, em cada fracasso, em cada momento que carregamos os fardos que os fundamentalistas impuseram sobre nossos ombros. Ela está clamando: Deus te ama, do jeito que você é! E sempre será assim: com piercing, sem piercing, com tatuagem, sem tatuagem, com a Bíblia na mão, ou sem ela, com conhecimento teológico ou ignorante dela. Seja o que for, Deus te ama mesmo quando você, aos olhos de todos e não de Deus, pecou e está sendo sacado de uma comunidade sem amor, sem ombro, sem colo. Esta é a verdadeira graça que a religião tradicionalista não consegue viver, por que vive amealhada e engessada pelo sistema, que politiza, porque é elitista, que oprime, que faz o mesmo jogo dos sem-Deus no mundo, que encerra sobre você os "nãos" da vida religiosa. A graça de Deus está pronta a romper e a quebrar com todas estas vaidades, que nada mais são do que vestimentas do anjo decaído que tenta abafar este amor ágape que jamais acabará (1ª Co 13.8).
A igreja evangélica de ramo ocidental precisa mudar. Arrepender-se, seus líderes devem se voltar ao Deus da graça, se não estará fadada a uma igreja apóstata como foi a igreja de Éfeso no final do primeiro século, que recebe de Cristo uma carta onde Ele a expõe: ABANDONASTE O TEU PRIMEIRO AMOR. Éfeso possuía obras de caridade, pura disciplina, líderes “austeros”. Mas haviam perdido o senso do amor ágape.
A graça que Deus derrama é a graça absurda para os homens e a ela devemos nos submeter, para que Cristo apareça de verdade na vida e no coração de todos. Esta graça liberta. A outra escraviza, adoece, exclui e mata.

Um comentário:

Anônimo disse...

Graça e paz Prof. Luiz.

Sou Daniel Moreno, do STPN.
Recebi seu e-mail e convite para visitar seu Blog.
Quero parabenizá-lo pela execelente postagem, pela coragem e verdade em suas arugumentações.

Fico feliz por Deus manter em nossa geração pessoas cinceras e fieis a santas escrituras.

Louvo a Deus por sua vida querido professor. Fui ricamente abençoado por Deus através de suas aulas no STPN.

Um grande abraço e que Deus continue conduzindo a sua vida.

No amor de Cristo
Daniel Moreno