terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Que Jesus é Este?

Jesus não pregou a vinda do Reino com armas nas mãos. Jesus não causou feridas, mas curou feridas. Jesus não decretou a luta de classes, nem a guerra santa em nome de qualquer tipo de libertação. Jesus não quis dominar mas servir. Jesus recusou todo tipo de poder, a demagogia, a violência, a manipulação de pessoas, a força, a coação. Jesus não se comprometeu com nenhum grupo, partido político ou religioso. Jesus vem a ser um revolucionário no sentido verdadeiro e radical da palavra.
Por seu modo de pensar, falar e agir. A maneira de ser de Jesus renova e transforma a pessoa de dentro para fora, remove raízes políticas, econômicas, sociais, culturais religiosas, profundamente injustas, opressivas e desumanas. Sim, a religião também é opressão quando produz discipulos em série, envolve o domínio do marketing consumista, refreando a possibilidade das pessoas pensarem livremente. A religião é opressiva quando cria uma relação de simbiose entre irmãos, quando
produz concorrência denominacionalista, quando produz um messianismo pessoal do deus para si mesmo. Jesus veio para romper com tudo isso. Jesus veio mostrar que não há um ser humano que pense que pode, se não encontrando-se com a graça de Deus, que não lhe pede nada, não lhe imprime nada, não negocia nada, apenas mostra que, seja o que for, como for, o amor de Deus é plural, é a-paradigmático, é inextinguível, é anti-segregacional, é a-religioso, é a-temporal. Que ama a quem quer, como quer, do jeito que quer, quando quer e ele quer sempre. Jesus vem mostrar que embora todas as estruturas religiosas de poder possam eliminar faltosos e "pecadores", ele continuará acolhendo, para ir transformando e convertendo o desumano para se tornar como ele, divino e humano de corpo e alma, amando e sendo amado, sem eliminar,
excluir, sem descartar, sem consumir. Por isso Jesus revoluciona. Esse é Jesus e não o caracturado por tantos púlpitos nefastos que mancham e desfiguram a mensagem da cruz.

sábado, 28 de novembro de 2009

Muito mais do que um evangélico!

"Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; ... e conheceis o seu caráter provado, pois serviu o evangelho, junto comigo. Por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e por outro lado, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas nossas necessidades. Honrai sempre a homens como esse... visto que por causa da obra de Cristo, se dispôs a dar a própria vida, para suprir a vossa carência de socorro para comigo". Filipenses 2.20,22,25,29,30
"Tu porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas" I Timóteo 6.11,12.

Levi Accioly Lins foi educado e instruído na disciplina do Senhor. De uma família presbiteriana, seu pai foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana da Madalena. Sua mãe, fiel serva de Deus, encaminhou-o na vida cristã e na igreja.
Sua instrução cristã foi além de sua parentela. Amigo dos filhos de missionários fundadores das instituições presbiterianas de Pernambuco, morou por algum tempo com a família Arehart, fundadora do Instituto Bíblico do Norte, em Garanhuns, PE. Experimentou a bênção de estudar por alguns anos no histórico Colégio XV de novembro, e teve sua educação fundamentada no Colégio Agnes Erskine. Sua experiência com vários missionários americanos, foi parte integrante de sua educação.
Era o caçula dos irmãos e em certo momento de sua juventude, tomou a decisão do filho pródigo como conta-nos a parábola de Lucas 15. Deixou sua família no Recife e foi para o Rio de Janeiro "tentar a vida". Abandonou os ensinos cristãos e dissolutamente gastou sua vida entre a classe artística do Rio de Janeiro nas décadas de 60 e 70. Passou 20 anos, longe da fé, chegando a tornar-se um dos carnavalescos mais conhecidos em sua época, trabalhando diretamente na Escola de Samba Império Serrano.
Desenvolveu ali os talentos e habilidades que possuía, mas não era definitivamente feliz.
Sua felicidade, tornou-se plena e concreta, quando Deus o chamou na cidade do Rio de Janeiro, na Igreja Presbiteriana de Copacabana, passando ao lado da Igreja ouviu o cântico: "Meu coração transborda de amor... por que meu Deus é o Deus de amor"! Seu coração desabrochou e sua alma voltou-se para Cristo. Deus na sua infinita misericórdia e graça, soberanamente o chamara para voltar ao lar. E Levi embora vivendo em uma das coberturas dos edifícios na avenida Copacabana, rejeitou radicalmente sua maneira de viver e retornou para o Recife. Mas sua saúde nestes tempos já era débil, conseqüência do estilo de vida longe do Senhor.
Retornando ao Recife, com um câncer nas costas, Deus o curou, dando a segurança e garantia de sua graça em seu coração. A partir dali, devotou-se ao serviço de Cristo como membro da Igreja Presbiteriana da Madalena, foi acompanhado pelo seu pastor Rev. Edijéce Martins Ferreira e eleito diácono, onde serviu por longos anos. Sua eleição para presidente da Junta Diaconal, foi apenas o referendum de sua dedicação. Fosse na assistência social, fosse na ajuda para qualquer atividade extra igreja, estava lá, Levi, o fiel cristão e dedicado. Tal foi sua fidelidade ao trabalho de Deus, que ao completar 50 anos de fundação a Igreja Presbiteriana da Madalena, conferiu-lhe uma homenagem sincera e cheia de gratidão pelos serviços prestados e pelo fiel testemunho cristão ao longo dos anos. Ali, Levi pôde cursar e formar-se no Instituto Bíblico Samuel Falcão, extensão do Instituto Bíblico do Norte de Garanhuns e se concentrando especialmente no estudo do Antigo Testamento, se especializou, tendo instrução direta do missionário holandês Dr. Francisco Leonardo Schalkwijk. Seus estudos sobre o Tabernáculo, o levaram à várias igrejas e congregações com seu flanelógrafo e seus ensinos sobre a Soberania de Deus e a vida Cristã. Seu envolvimento no apoio e ajuda aos seminaristas do Seminário Presbiteriano do Norte, o tornou conhecido por muitos pastores que hoje estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Mas o seu serviço despretensioso, que marcara a vida da I.P. Madalena agora se expandia. Em 1995 chamado pelo então Diretor do IBN, Rev. Maely Ferreira Vilela, aceitou o convite para ser professor da área de Antigo Testamento onde perseverou na multiplicação de missionários e missionárias que hoje estão batalhando nos campos de todo Brasil.
Com a chegada de seu amigo e irmão, Rev. Luiz Augusto Corrêa Bueno para a direção do IBN em 1996, Levi desenvolveu não somente o ministério docente como também de coordenador geral do internato dos alunos. Seu carisma e sua dedicação aos alunos, bem como a experiência com os missionários americanos do passado o havia habilitado para ser líder ali. Mas esta função era apenas oficial, pois o ministério de Levi extrapolava o cumprir estes mandatos. Era o conselheiro, o pai, o irmão, o professor, o cozinheiro, o alfaiate, o administrador, o decorador, o pintor, o pedreiro, o evangelista, o missionário, o pastor, o defensor dos alunos, o fiel amigo de todas as horas.
Foi ao longo deste ministério no IBN, que hoje esta escola missionária se desenvolveu ainda mais. Com a chegada do administrador Diácono Wagner de Siqueira Felipe, Levi se dedicou fortemente ao trabalho de liderar o internato do IBN.
Mas sua saúde era extremamente fraca. No Natal de 2000, precisou fazer uma angioplastia. E no dia 3 de maio de 2002 foi internado em uma clínica em Garanhuns, e após um AVC, não conseguindo resistir a esta situação, Levi foi chamado à glória de Deus. Seu sepultamento se deu no dia 4 de maio, Domingo, no Cemitério Parque das Flores no Recife.
Levi Accioly Lins, marca a vida não somente da Igreja Presbiteriana do Brasil, mas também do Reino de Deus. Exemplo de vida, testemunho e dedicação ao ser humano, Levi foi instrumento de Deus para a formação vocacional de muitos que passaram pelo IBN em Garanhuns, e continuará na memória de todos aqueles que hoje estão pelos campos, a serviço do Senhor. Sua vida é motivo de rendermos toda glória e honra ao Senhor Jesus, que regenera, cuida, vocaciona e usa servos como Levi. A Deus toda glória e louvor.
Rev. Luiz Augusto Corrêa Bueno
ex-Diretor do Seminário Presbiteriano do Norte e ex-diretor do Instituto Bíblico do Norte amigo pessoal de Levi Accioly Lins

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Crescimento numérico = vontade de Deus! Nem sempre!

Uma das questões que me traz preocupação é como os líderes religiosos de hoje idealizam uma comunidade segundo a vontade de Deus. Para muitos uma igreja ou congregação que vive segundo a vontade de Deus tem que estar em amplo crescimento numérico. Eu questiono essa afirmação e digo: “nem sempre”. Afirmo isso porque nem sempre as pessoas sabem o que significa crescer e relacionam este crescimento de acordo com um número de pessoas que se congregam para adorar a Deus nos domingos, num templo.
Quanto a isso, devemos ter uma visão mais amadurecida. Somos fruto de uma série de movimentos no decorrer da história que relacionavam crescimento numérico + vontade de Deus = Glória a Deus. Os muitos movimentos evangelicais na história criaram uma noção de que Deus quer que cresçamos em número.
Que o crescimento de uma comunidade aconteça a partir de um evangelho vivido entre os discípulos de Cristo, isso é verdade, porém estudando mais a fundo e experimentando o ministério depois de 21 anos, acabo vendo que em 90% dos casos de crescimento numérico nada mais são do que a aplicação de modelos e princípios empresariais.
Ora, o que vem a ser crescimento? Primeiro é bom lembrar que nenhum dos evangelhos afirma que Jesus usou o termo “plantem igrejas”! O termo plantar é bem recente. Nem mesmo as missiologias até meados do século XX usavam este termo para designar o testemunho. Na verdade o termo “plantar igreja” foi trazido dos Estados Unidos da América, fruto primeiramente do então Movimento de Crescimento de Igreja com Donald McGravan e Peter Wagner, se desenvolveu mais recentemente com o Movimento de desenvolvimento natural com Christan Schwarz e então desembocou no Movimento de Igrejas Dirigidas pelo Marketing com Bill Hybels e a “Igreja com propósito” com Rick Warren.
É importante sabermos que embora possuindo princípios sinceros, estes movimentos tentaram ser uma mola ou um gerador para “tirar a igreja da inércia espiritual” e produzir “necessariamente” uma dinâmica do ponto de vista humano. Como todo movimento estes possuem uma forte tendência pragmática e utilitarista. E é aí que me proponho a refletir.
Não questiono o crescimento “natural”, mas questiono o muito ativismo e consumismo religioso abafando o crescimento produto de uma vida cristã saudável. O ativismo torna as comunidades locais num “que-fazer” sem-sentido e tem gerado cristãos que vivem do ativismo cruel sem dar conta que estão cavando a própria “cova espiritual”.
Digo isso porque há movimentos dentro das comunidades sem sentido algum. Há tantos cristãos que em troca de uma idéia de agradar a Deus e a si mesmos, colocam em jogo suas vidas e suas famílias entregando-as a falência. Já vi vários casais que viviam aparentemente estáveis, após uma vida de encontros e eventos eclesiásticos se separaram. Isso demonstra que nenhum movimento por mais belo e tocante que seja pode produzir mudanças profundas e graves na vida de pessoas se isso não for ocupado pelo trabalho diário e perseverante por meio da vivência mútua do fiéis. Na maioria das vezes vive-se um ativismo “ignorante” tornando os eventos “um fim-em-si-mesmos”.
Por isso o Novo Testamento foi escrito a fim de que possamos compreender nosso papel como discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Viver a vida cristã de modo saudável implica em compreendermos a finalidade para a qual a igreja de Cristo vive neste mundo.
O grande segredo dos cristãos é compreenderem a igreja como uma comunidade e não apenas como uma instituição. Para entendermos melhor esta frase, devemos lançar mão de algumas palavras usadas no Novo Testamento. A primeira é Koinonia, a segunda é Querygma, a terceira é Diaconia e a quarta Martyria.
A Koinonia significa comunhão e é o estilo de vida esperado por aqueles que vivenciam a fé cristã. Comunhão e amor é a sintese da Lei (Mc 12.29-31), a comunhão que regula a relação entre Jesus e o Pai e o Espírito Santo deve ser a mesma que regula as relações de seus filhos (Charles Barret). O amor dos discípulos uns pelos outros não pode ser meramente um teatro, mas de fato objetivo deve revelar o Pai e o Filho nos relacionamentos cristãos. Seus seguidores devem reproduzir o amor mútuo, o amor que o Pai mostrou ao enviar seu Filho, o amor que o Filho mostrou ao entregar a vida. (Charles H. Dodd). Não é meramente sentimentalismo provocado pela emoção, mas sim um tipo de ação que o Pai e o Filho e seus discípulos assumiram para si por amor ao mundo. Essa reação é ordenada aos discípulos. Esta koinonia é encarnacional, vivida entre pessoas diferentes porém obedientes a fé de Cristo (Jo 14.23). Ao falar de missão, Jesus em João 13.35 a relaciona com a vida em amor. Não há missão sem unidade, comunhão e vivência. A vida em comunhão constrangerá os de fora. É uma relação centrípeta, porém não voltada para uma auto-preservação. A instituição sempre fará da koinonia um meio para se auto-preservar, porém o organismo espiritual sempre promoverá a koinonia como o elemento principal para a vida espiritual saudável resultado naturalmente numa missão incoercibível.
O Querygma é a segunda palavra. A própria Koinonia envolve uma proclamação (kerigma) do Senhorio de Jesus. O senhorio de Cristo impulsiona a Igreja para fora na proclamação do evangelho ao mundo. Harry Boer diz: “Há um elo entre o ensino neo-testamentário do senhorio de Cristo e o propósito universal de Deus”. ( Rm 11.25-26; 16.25; Ef 1.9-10; 3.3-11; 5.32; Cl 1.26-27 e 1 Tm 3.16). “O senhorio de Cristo não é apenas um senhorio na Igreja e sobre o indivíduo que crê, mas sim um senhorio com proporções cósmicas e universais”. (At 4.25-30). O conteúdo do Querygma é a mensagem “Jesus é o Senhor”. Sendo assim necessariamente implica num movimento. “Jesus é o Senhor” significa “Jesus é o Senhor do mundo”. (Mt 28.19-20; Cl 1.15-20). “Não se pode confessar que Jesus é o Senhor sem, ao mesmo tempo proclamar o seu senhorio sobre todos”. Há aspectos muito fortes aqui de duas marcas da igreja: sua catolicidade e sua apostolicidade. Ao vivenciarmos Jesus como Senhor (kyrios) e não apenas como salvador (soter) estamos revelando que nossos valores foram alterados e não vivemos subjugados pelos valores da sociedade. Isso tem um resultado na vida, no comércio, nas decisões institucionais. Enfim, se Jesus Cristo é o Senhor, o mundo será mudado por ser Ele o Pantocrator (todo-poderoso, onipotente, governador). Ele é o Senhor de todas as pessoas, de toda a criação e da igreja, chamando todos para um encontro radical com Ele. Essa consciência faz naturalmente brotar uma energia que impele a comunidade para a frente por meio de atos e palavras, não num evento realizado, mas tão somente na vida cotidiana.
A Diaconia é a terceira palavra. Numa das afirmações do Donald McGravan encontramos que “a igreja é a comunidade dos crucificados”. Sem dúvida alguma levando em consideração que todos os cristãos vivem para um único propósito que é servir ao seu semelhante, as palavras de Jesus continuam ecoando: “O servo não está acima de seu Senhor” (Mt 10.24; Jo 13.16; 15.20). Portanto as experiências do discípulo serão as experiências de seu mestre. Não podemos fazer diferente. Uma comunidade saudável que vive segundo a vontade de Deus, está em serviço dinâmico entre seus irmãos de fé e também com os de fora. O “lavar os pés uns dos outros” é a primeira conseqüência da presença de Cristo em uma vida, a começar o líder, seja ele quem for. (Jo 13.16). A postura do discípulo será sempre o de servir com humildade (Jo15.20) e servir sem esperar retorno. Se ainda não conseguimos fazer isto, Cristo não está em nosso coração completamente. O Conceito de servo no Novo Testamento é uma junção de vários termos: doulos (servo como escravo), leitourgos (servo como condutor), diakonos (servo pessoal e livre). Assim a comunidade de discípulos de Jesus vive servindo uns aos outros por meio de seus dons, habilidades pessoais e talentos naturais. Não há honra nisto porque essa atitude é tão simples como natural de cada servo. Fazem isso não por obrigação mas por natureza e peculiaridade. Quer saber quem está na caminhada cristã, veja os que servem sem esperar retorno. “Para a igreja o ministério da diaconia são as mãos e os braços”. “A Igreja se torna então uma comunidade diaconal de amor”. Qualquer pessoa desejará viver nesta comunidade, se vir cada um deles servindo em amor. Isso é missão como resultado da diakonia. A diaconia não pode ser isca para qualquer tipo de evangelização. Jesus jamais afirmou tal coisa. Como bem afirma van Engen: Diaconia é a manifestação inevitável e necessária da natureza essencial da igreja como comunidade dos discípulos de Jesus. Diaconia não é simplesmente uma coisa boa, é a natureza fundamental da igreja cristã. Ministrar a todos os necessitados de todos os lugares (At 1.8). Quando a igreja missionária de Deus deixa de lado o ministério diaconal, algo de sua natureza missionária deixa de brotar”.
Martyria é a quarta palavra. A comunidade dos discípulos de Cristo é a comunidade de “testemunhas”. O testemunho é o termo usado por São Lucas tanto em seu Evangelho como em Atos dos Apóstolos. Não tem a idéia apenas de testemunha ocular, mas também de uma testemunha que coloca todas as coisas em jogo, até a sua própria vida para testificar tal verdade podendo chegar ao martírio. Isso tem a ver com o princípio da entrega da vida em prol de uma verdade iniludível. Assim o evangelho deixa de ser apenas uma coisa boa, para ser a razão da existência. O evangelho deixa de ser um produto a ser oferecido a qualquer um para ser um estilo de vida. O evangelho deixa de ser um meio para que possamos receber bênçãos para ser um meio onde se oferece Dons e talentos por meio da doação e renúncia. Martyria extirpa de vez a idéia do consumismo, demônio presente nas verbalizações de muitos pregadores atuais. Assim “as pessoas que não conhecem a Jesus devem conhecê-lo na presença, proclamação e nos atos e palavras da igreja”. É coerente lembrar que a igreja quando se faz presente por meio de suas palavras e atos já é a própria essência da evangelização. A visão de embaixadores se faz presente não pela importância pessoal, mas pela presença autorizada de Cristo, sob a graça (2ª. Co 5.18-21).
Portanto, vale a pena procurar de tempos em tempos, fazermos uma autocrítica a fim de avaliarmos o que estamos fazendo com a missão e evangelização em nossos dias. Se estas são fruto de idéias pré-concebidas dentro de um mercado globalizado levando a igreja a ser subserviente a um sistema satânico que aí está ou se nossas comunidades buscam viver a simplicidade e a sinceridade de Cristo, resultando em uma missão produto natural da vivência uns com os outros e com a própria Divindade. Bom é lembrar o cuidado de São Paulo: “O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo”. ( 2ª. Coríntios 11.3)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Igreja: Fonte incrementadora de Ministérios

A Reforma Protestante teve um profundo e importante papel na restauração da Doutrina do Sacerdócio Universal de todos os Santos. Não somente os crentes tem o pleno e irrestrito acesso a Deus por meio de Jesus, e assim a sua redenção e perdão de pecados, mas esta condição dá aos discípulos de Jesus a oportunidade de exercerem uma função sacerdotal do ponto de vista ministerial.
A figura de Israel como povo eleito no Antigo Testamento era também o reino de sacerdotes para que os povos da terra conhecessem a Elohim como o Deus Criador de todos os povos (Ex 19.4-6). Reafirmando isso, a Igreja do Novo Testamento é chamada com o mesmo papel, não somente substituindo Israel, mas em sua plenitude exercendo também uma função sacerdotal, a fim proclamar as virtudes daquele que a chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe 2.9).
Mas nesta condição de servos que ministram, a Igreja também exerce a missão como Corpo de Cristo. Esta visão de Corpo se dá por meio da unidade, diversidade e da mutualidade, características do batismo e da habitação do Espírito Santo. Esta unidade do Corpo de Cristo como um povo de ministra para si e para o mundo, deve ser permeado com o amor ágape. A koinonia é a base desta visão ministerial.
Ao mesmo tempo que a comunidade dos discípulos de Cristo nutre o amor fraternal, estes vivenciam o novo mandamento. A declaração de Cristo é a chave para a formação do caráter ministerial da Igreja: “Novo mandamento vos dou: que vos amei uns aos outros, assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.34,35).
Mas é interessante notar que, Jesus relaciona o amor promovido pela comunhão como fator preponderante para que a Igreja cumpra sua finalidade missionária. “Nisto conhecerão todos”, expressa a funcionalidade e a finalidade pelo qual se ama e se relaciona: a missão a todos. É interessante ainda ressaltar que o fato da Igreja expressar a sua comunhão, ao mesmo tempo, reflete o amor relacional da própria Trindade. Charles Barrett afirma com muita propriedade que o verdadeiro amor “corresponde ao mandamento que regula a relação entre Jesus e o Pai”.
Johannes Bavinck comenta assertivamente: “A igreja quando vive uma comunhão espiritual, em organismo pleno, tem poder para fazer crescer o corpo”.
Quando o Corpo de Cristo vive a comunhão verdadeirahá a manifestação dos dons espirituais, e o crescimento e expansão do Reino no mundo.
O caráter ministerial envolve a natureza missionária da Igreja, pois a manifestação de ministérios no Corpo é condição para sua existência. Não pode haver um membro sequer desta Igreja sem viver o processo do descobrimento, exercício e desenvolvimento de seus dons para o ministério. Portanto, é imprescindível que uma filosofia de ministério exista dinamicamente na vida da Igreja.
Assim, a Igreja é a fonte incrementadora de ministérios. Uma Igreja missionária é aquela que gera e desenvolve ministérios de maneira que todos os “chamados”, são considerados e valorizados igualmente. A Igreja que vive sua missão ao mundo consagra os seus missionários, profetas, evangelistas, mestres, tanto quanto ordena seus pastores.
Há um déficit ministerial na Igreja. Os missionários e pastores tem perdido a motivação para perseverar no campo. Muitos tem fracassado ministerialmente porque não têm aprendido a prevalecer. Isso porque tanto organicamente como estruturalmente a Igreja não trata seus missionários e pastores no mesmo nível.
O crescente profissionalismo do púlpito atinge a liderança e a visão ministerial deixa de ser o meio para expansão do Reino Deus, para se tornar um fim em si mesmo, expandindo ministérios personificados em mega-projetos. Esta condição que vive a Igreja contemporânea é resultado da diluição de sua natureza missionária deixando-se ser seduzida pelo estilo de vida do mundo.
Há uma concorrência denominacional e ministerial não somente entre igrejas, mas também entre pastores. O estilo de marketing tem sido absorvido, mesmo que inconscientemente pelos ministros, levando a uma superficialidade do que seja vida de discipulado em Cristo e cooperação na obra de Deus. Frank Dietz fala corretamente sobre o assunto:
“Os missiólogos nos ensinam que a primeira onda missionária foi iniciada com Guilherme Carey e liderada principalmente pelos europeus. A segunda onda surgiu com Hudson Taylor e foi liderada principalmente pelos norte-americanos. Uma das coisas que foi definitivamente exportada pelo ocidente para o terceiro mundo foi o espírito de competição. Se é verdade que esta terceira onda de missões será liderada pelos dois terços do mundo, então é muito importante que exorcizemos esse demônio de competição”.
Outra questão que deve ser avaliada dentro do caráter ministerial que forma a natureza missionária da Igreja é a motivação e a filosofia da formação ministerial e missionária. Há um sintoma extremamente sério a esse respeito. Nos últimos anos, 71% dos missionários enviados para campos transculturais tem abandonado o campo por razões que poderiam ser evitáveis. No caso do Brasil o índice é de quase 25%. Em conseqüência disso, não somente a tarefa missionária fica prejudicada, mas os missionários envolvidos que não perseveram e abandonam seus campos, caem em crises profundas, desde a frustração pessoal como o abandono da Igreja.
Mas a Igreja deve ter um papel importante aqui. Tudo se baseia na filosofia de vida para a formação dos seus pastores e missionários. Assim explica a missionária Margaretha Adiwardana:
“Tendências culturais modernas que podem ter influência negativa na capacidade de missionários perseverarem no campo de missão incluem o espírito de independência e auto-suficiência, a expectativa de resultados instantâneos, a obsessão de eficácia no uso do tempo, o desejo de realização pessoal e a orientação para o sucesso. Isso é verdadeiro para muitas culturas, tanto para a ocidental quanto para a asiática e a latino-americana. Se missionários emergem desse contexto e cresceram com essas atitudes, para eles é difícil enfrentra uma situação em que a sua liberdade pessoal é restrita, em que precisam fazer sacrifícios e estar mais preocupados com outros que consigo mesmos, e que têm de continuar atuando mesmo quando parece haver poucos resultados.”
Cabe à Igreja, restaurar o seu caráter ministerial, reavaliando os enfoques de sua formação tanto pastoral como missionária. Tanto pastores como missionários em campos nacionais ou transculturais devem ser não apenas bem preparados teológicamente, mas sobretudo, devem receber formação baseada em uma teologia prática de contextualização, para que seus ministérios não sejam trocados pela vida fácil, sendo ministérios de curto prazo e tornem-se envolvidos pelo consumismo e mercantilismo da fé que paira sobre as igrejas de hoje. Que nestas conferências misssionárias cada um de nós, fiquemos abertos para o Espírito Santo a fim de respondermos pessoalmente o chamado para servir na pluralidade de ministérios. Uma igreja missionária é conhecida quando seus membros reconhecem os seus ministérios nas mais variadas formas. Busquemos ser uma igreja saudável espiritualmente e veremos os resultados da colheita de Cristo.

sábado, 14 de novembro de 2009

Conforto na Peregrinação

"Oh! caminhos tortuosos! Ai do homem temerário que afastando-se de ti, pensa encontrar algo melhor! Quer se volte ou revire para trás, para os lados ou para frente, todas as posições lhe são incômodas, pois só em ti acha tranquilidade. Mas eis que estás aqui, e nos libertas de nossos êrros deploráveis, nos confortas e nos conduzes por teus caminhos, dizendo-nos: Correi, eu vos sustentarei e vos conduzirei até o fim, e aí vos hei de manter". (Isaias 46.4) Santo Agostinho

domingo, 8 de novembro de 2009

Não Quero Mais Ser Evangélico! (adaptado de: Ariovaldo Ramos)

(texto de Ariovaldo Ramos)
"Irmãos, uni-vos - Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja, de 9 de junho de 1999, anunciando formação do Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil. Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "evangélico" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais, ser praticante e pregador do Evangelho (boas novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um seguimento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o seguimento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro. Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai, porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por profissionais da fé. Voltemos à consciência de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro; uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado.
Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar; voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada. Voltemos ao amor, à convicção de que, ser cristão, é amar a Deus acima de todas as coisas e, ao próximo, como a nós mesmos; voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam, em profundo amor e senso de dependência, quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso". Para que os títulos: pastor, reverendo, bispo, apóstolo, o que estes significam se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo. Para que o clericalismo? Voltemos ao sermos servos uns dos outros; aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra! Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "ïnstruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16). Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou ser uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus."(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem. Chega dos herodianos que vivem a
namorar o poder, a vender a si e as ovelhas ao sistema corrupto e corruptor; voltemos à escola dos profetas que denunciam a injustiça e apresentam modelos de vida comunitária. Chega do corporativismo, onde todo mundo sabe o que acontece, mas, ninguém faz nada; voltemos ao confronto, como o de Paulo a Pedro (Gl 2.11), que dá oportunidade ao
arrependimento e aperfeiçoa, como "o ferro afia o ferro." (Pv 27.17) Saiamos do "metodologismo". Voltemos a "ser como o vento, que sopra como quer, se ouve a sua voz mas não se sabe de onde vem e nem para onde vai" (Jo 3.8). Não quero mais ser evangélico, como o é entendido, hoje, neste país. Quero ser só cristão. Um cristão integral, segundo a Reforma e os pais da Igreja. Adorando ao Pai, em espírito e verdade, comungando, em busca da prática da unidade do "novo homem", criado por Cristo à Sua imagem (Ef 2.15), e praticando a missão integral.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Não sejas como quem diz uma coisa e faz outra

Do Sermão proferido no último sínodo por São Carlos, bispo

(ActaEclesiae Mediolanensis, Mediolani 1599,1177-1178)
(Séc.XVI)


Somos todos fracos, confesso, mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos ser fortalecidos com facilidade. Tal sacerdote desejaria possuir uma vida íntegra, que dele é exigida, ser continente e ter um comportamento angélico, como convém, mas não se resolve a empregar estes meios: jejuar, orar, fugir das más conversas e de nocivas e perigosas familiaridades.

Queixa-se de que, ao entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e empregou para fixar a atenção?

Queres que te ensine a caminhar de virtude em virtude e como seres mais atento ao ofício, ficando assim teu louvor mais aceito de Deus? Escuta o que digo. Se ao menos uma fagulha do amor divino já se acendeu em ti, não a mostres logo, não a exponhas ao vento! Mantém encoberta a lâmpada, para não se esfriar e perder o calor; isto é, foge, tanto quanto possível, das distrações; fica recolhido junto de Deus, evita as conversas vãs.

Tua missão é pregar e ensinar? Estuda e entrega-te ao necessário para bem exerceres este encargo. Faze, primeiro, por pregar com a vida e o comportamento. Não aconteça que, vendo-te dizer uma coisa e fazer outra, zombem de tuas palavras, abanando a cabeça.

Exerces cura de almas? Não negligencies por isso o cuidado de ti mesmo, nem dês com tanta liberalidade aos outros que nada sobre para ti. Com efeito, é preciso te lembrares das almas que diriges, sem que isto te faça esquecer da tua.

Entendei, irmãos, nada mais necessário aos eclesiásticos do que a oração mental que precede, acompanha e segue todos os nossos atos: Salmodiarei, diz o Profeta, e entenderei (cf. Sl 100,1 Vulg.). Se administras os sacramentos, ó irmão, medita no que fazes; se celebras o culto, medita no que ofereces; se salmodias no coro, medita a quem e no que falas; se diriges as almas, medita no sangue que as lavou e, assim, tudo o que é vosso se faça na caridade (1Cor 16,14). Deste modo, as dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos, assim, a força de gerar Cristo em nós e nos outros.

E peço continuamente: kyrie eleison

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Devoção e Espiritualidade na Formação Ministerial

Há um diagnóstico extremamente sério na formação pastoral e missionária. Nos últimos
anos, 71% dos missionários enviados para campos transculturais têm abandonado o campo por razões que poderiam ser evitáveis. No caso do Brasil o índice é de quase 25%.[1] Na área de formação teológica e pastoral, há que se notar um número excessivo de teólogos que congestionam os Concílios Eclesiásticos a fim de buscarem a ordenação e um campo de trabalho pastoral.

Em conseqüência disso, não somente a tarefa missionária fica prejudicada, mas os
missionários envolvidos que não perseveram e abandonam seus campos, caem em crises
profundas, desde a frustração pessoal como o abandono da igreja. O início do século XXI revela novos moldes do cristianismo evangélico ocidental. A liturgia como de praxe, tem sido o cartão postal das mais variadas igrejas locais, ao mesmo tempo em
que estas têm sido invadidas por um formato cultural cada vez mais veterotestamentário. “O Deus da Bíblia se manifesta através de lugares e pessoas ungidas”, dizem os profetas atuais.

Os fundamentos bíblicos revelam que a adoração ou o que será denominado neste trabalho de devocionalidade é o agente motivador e alimentador da missão. Ela leva consigo mesma os princípios que fazem parte da credenda e também de sua agenda. Pode-se afirmar que a respeito de sua credenda, há uma íntima ligação com a formação de seus líderes, pastores, ministros e missionários.

Corroborada à formação ministerial, a idéia triunfalista e de “sucesso de mercado” têm sido estimulada e desenvolvida. Essa realidade tem se refletido em muitas escolas teológicomissionárias, e os estudantes às missões e candidatos ao ministério não têm sido uma geração ensinada a perseverar, a despeito de problemas que são encontrados no campo. [2]

Esta situação tem gerado uma profissionalização do púlpito e ao mesmo tempo um retorno precoce de missionários dos seus campos. Nunca o espírito megalomaníaco atingiu tanto as igrejas como nos dias de hoje. Esse espírito tem sido mais importante do que as pequenas e singelas coisas a serem trabalhadas e nutridas no seio das igrejas locais.

Projetos monumentais e a criação de “castelos feudais eclesiásticos” têm sido a motivação de muitos líderes religiosos. Os termos utilizados pelos que defendem os Movimentos de Crescimento de Igrejas incluem não somente a nomenclatura “Grandes Igrejas”, mas atualmente também “Mega-Igrejas”. A missão tornou-se um fim em si mesma e na grande maioria, projetos missionários a longo prazo são descartados, devido ao imediatismo e aos mega-projetos personalizados em seus “mega-líderes”. Grandes templos, grandes perspectivas, grandes “poderios” e “castelos eclesiásticos” nunca representarão um compromisso com o Reino de Deus.

A preocupação exagerada com o local pode fazer esquecer a pregação a todas as nações.
Já em 1947, o Conselho Missionário Internacional reunido em Whitby afirmava que “a missão precisa ser vista não com um sentimento imperialista, mas com o espírito de solidariedade ao mundo”. [3] Isto significa que o problema da missão é resultado de uma equivocada visão do que seja espiritualidade e ou devocionalidade. Onde a missão não seja opressora e sim libertadora, transformadora e redentora.

Aqui, deve ser registrado que a firme busca por uma devoção a Deus poderá, se o foco da devoção, for desviado, uma devoção à denominação. As buscas, os encontros, os cultos, os movimentos e eventos, se tornarão um reflexo de uma devoção à igreja local, ao evento em si, aos programas e aos departamentos nela existentes.

Ao tratar sobre este tema, David Bosch, faz uma crítica ao distanciamento entre a igreja e a missão, dizendo: “A fundação da igreja e o início da missão coincidem no livro de Atos em seu capítulo dois. Missão era a missão da igreja e igreja era a igreja missionária. No decorrer dos tempos, contudo, uma congregação atrás da outra foram estabelecidas e desenvolveu-se uma tendência para concentrar-se em seus problemas paroquiais e negligenciaram o relacionamento da igreja com o mundo.[4]

Assim há questões que são importantes, mas outras que são essenciais. A devocionalidade é essencial. Sem ela, a igreja perde a sua “salinidade” como “sal da terra” e sua “luz” torna-se mera “luz de um tição tirado do fogo”. Portanto o espírito devocional deve ser a mola propulsora da missão da igreja no mundo
por meio dos mais variados ministérios.

Para tanto, as Escrituras Sagradas são o fundamento para que a devocionalidade seja redescoberta no meio da formação ministerial.

1. A relação entre a devoção e a missão na formação ministerial .

O Antigo Testamento trata do caráter fenomenológico da adoração que permeia toda a
Escritura. Mas é nos Salmos que esta visão se torna mais concreta. O povo de Israel falava a Deus por meio dos Salmos. Não somente enaltecia a Deus e as suas obras, como também recebiam forte impressão acerca do domínio universal de Deus e sua Soberania. Além disso, Israel como povo escolhido e também como nação sacerdotal deveria responder a Deus sinceramente tanto quanto conhecesse a amplitude de sua Soberania. Timóteo Carriker comenta assertivamente:

“E nesta resposta de Israel a Deus e ao mundo encontraremos grande significado
missiológico, já que missão implica não só no discurso do povo de Deus com o
mundo, mas numa tríade entre Deus, o seu povo e o mundo. A missão do povo
escolhido encontra sua relação eficaz com o mundo à medida que responda sincera
e pessoalmente a Deus.” [5]

A devocionalidade que deve ser vista como o relacionamento pessoal com Deus e porque
não dizer com toda a Trindade Santíssima. Mas algo que compromete a hermenêutica é a
confusão de vários intérpretes bíblicos com respeito à devoção. Pois a tendência é negar a vida de devoção pela ênfase na obediência pelas obras. A nação de Israel conhecia o Deus transcendente porém aparentava algo mais impessoal. Brennan Manning afirma a este respeito:

“Israel conheceu um Deus santo, que transcendia a tudo que era visível e tangível.
Ele era de certo modo refletido em coisas, mas não deveria ser identificado com
coisas. Êxodo retrata Deus como estável e interessado, uma rocha de confiabilidade
em meio a tantos dependentes. Os judeus relacionavam-se, dessa forma, com um
Deus-aliança que havia tomado a iniciativa do contrato, que havia falado em primeiro
lugar, que havia gerado Israel como nação e dado a ela um senso de identidade.
Nesse estágio primitivo de relacionamento, o Deus de Israel era calmo, até mesmo
frio. Qualidades como interesse, fidelidade e estabilidade eram apreciáveis, mas a
ternura e a radiância não haviam aparecido. Iavé era como a Rocha de Gibraltar
diante dos ventos de mudança. Ele possuía um rosto, mas era uma fisionomia
impassível, com um toque de benignidade... não havia extravagância em Iavé. Ele
era firme, justo e digno de confiança. Confiabilidade implacável”.[6]

Porém no Novo Testamento, a forma da devocionalidade se transforma em carne, sangue e
ossos. A encarnacionalidade do verbo é o primeiro momento onde vê-se o Filho Unigênito deixando sua glória e abdicando de seu status. Aqui o Deus-Iavé vem ao encontro do homem em cheiro e suor. O relacionamento agora deixa de permanecer na base da obediência para depender exclusivamente da graça, do amor, da livre-iniciativa de Deus. A relação entre Deus-homem com a humanidade no pecado toma nova forma.

É Deus mesmo que ensina ao homem o que é espiritualidade e desenvolve a visão de uma
devocionalidade que extrapola as idéias paradigmáticas de tempo, espaço e liturgia. Jesus envolve-se com todos e deixa-se ser adorado por todos. Foi em um contexto de adoração que a Igreja Primitiva recebeu a plenitude do Espírito Santo para proclamar as boas novas (At 4.23-31).

Foi em um ambiente de adoração que a Igreja de Antioquia da Síria separou a Paulo e a Barnabé para a obra missionária (At 13.1-3). Quando o apóstolo trata sobre a questão de culto entre os Coríntios, ele também envolve descrentes no contexto e demonstra que a mensagem pregada deve ser inteligível aos ouvidos dos incrédulos (I
Coríntios 14). Enquanto Paulo e Barnabé estavam adorando e louvando, Deus permitiu a
pregação ao coração do carcereiro de Filipos após o terremoto. (Atos 16).

Os evangelistas também fazem questão de enfatizar a adoração, partindo do pressuposto
que, embora Deus fosse trancendente, não deixava de receber a adoração de “todos” os homens e mulheres, que segundo o ponto de vista farisaico, eram gentios e indignos de se achegarem a Deus. Isso, o evangelista Lucas relata ao tratar sobre a mulher que ungiu os pés de Jesus em uma ceia na casa de uma fariseu.[7]

A devocionalidade envolve a pergunta: “Como ser aceito por Deus?” E também durante
toda a história a resposta foi sendo formada a idéia de que existem pessoas classificadas como “privilegiadas por um acesso a Deus”. O tempo de Jesus é marcado por esta realidade: Os fariseus eram detentores das condições ideais para adorarem a Deus. Aqui é o grande perigo de uma devocionalidade altamente discriminadora e preconceituosa na formação missionária e teológica. O Pr. Edwinn Orr afirma:

Centenas de cristãos, bem intencionados, que assistem convenções e conferências
e tentam aprofundar a vida religiosa, regozijar-se com a graça que lhes foi
dispensada, rapidamente caem na mesma vida de derrota espiritual porque não há
uma completa e permanente compreensão e consagração da devoção pessoal a Deus. [8]

No caso do contexto bíblico supra-citado a “notável pecadora”, estava desprovida de
riquezas e do ponto de vista religioso, desprovida de toda e qualquer condição para se fazer presente entre os “espirituais”. A palavra de Jesus esclarece e demonstra que somente ela, na verdade, possuía as condições ideais para a verdadeira devoção.
Esta mulher era digna de adorar porque reconheceu honestamente a Cristo como
verdadeiro Deus. O texto afirma: “...estando por detrás, aos seus pés...”. Jesus era mais valioso que sua situação cultural, religiosa e social. (Hb 10.19-22). Embora, sua presença não fosse bem vinda na casa de um alto religioso, dotado do “conhecimento de Deus”, aquela mulher não estava preocupada com o cinismo do mesmo. Pelo contrário ela se coloca na posição de uma adoradora. Além disso, a sua devoção revelava um quebrantamento sincero. Seu quebrantamento foi marcado por rendição, reverência e humildade. Quebrantamento se constituiu da quebra de
paradigmas além do estilo habitual de se adorar.

Quebrantamento significa sinceridade que brota de um coração cheio de fé. Quebrantamento reflete o quanto se ama a Cristo. Sua devoção achou resposta da parte de Cristo. Ela recebe a restauração de sua vida. Jesus corresponde a sua manifestação de amor. Jesus perdoa os seus pecados, referenda a sua salvação, e a cura de todos os traumas e frustrações emocionais, sentimentais e familiares que
possivelmente ela deveria ter absorvido por toda sua vida.

Portanto, não há missão sem verdadeira devoção. Em contraste com nossos
merecimentos, está o reconhecimento de que somente Cristo é o verdadeiro Deus. Isto destrona nosso ego e coloca no centro de nossa vida a Cristo como Senhor. Não pode haver verdadeira adoração se não houver verdadeiro quebrantamento, plena submissão, entrega de sentimentos armados, espírito endurecido. (Sl 51.16,17).

O alívio do perdão, a certeza de salvação, e a cura de doenças emocionais somente podem acontecer quando Cristo responde a nossa fé manifestada por esses princípios.
Ora é imprescindível que adoração e missão andem juntos. Orlando Costas declara:
“Missão é a comunicação e a antecipação da adoração... Liturgia sem missão é
como um rio sem uma fonte. Missão sem adoração é como um rio sem o mar... Sem
um, o outro perde sua vitalidade e seu significado”.[9]

E John Piper complementa:

“Adoração, portanto, é o combustível e o alvo em missões. Ela é o alvo de missões,
porque em missões, nós tentamos trazer as nações para dentro do gozo supremo da
glória de Deus. O alvo de missões é a alegria dos povos diante da grandeza de
Deus. Mas adoração também é o combustível de missões. Paixão por Deus na
adoração precede o que Deus oferece na pregação. Você não pode recomendar o
que não é valorizado. Missão começa e termina em adoração”.[10]

É altamente importante que seja aqui tratada a crise por que passa o treinamento e
formação teológicos. Não se deve negar que a igreja bem como as escolas teológicas absorvem fortemente a idéia da Teologia da Prosperidade. A relação com Deus é diluída em barganha em nível material e físico. A idéia de Deus é repassada como o deus que tem a obrigação de suprir ao seu filho todas as suas necessidades materiais e físicas. A oração então, passou em ser uma mera ferramenta para um relacionamento frio, tal qual a nação de Israel provava. Esta realidade tem sido a base de formação de novos pastores, ministros e ministras do evangelho na maioria das denominações evangélicas na América Latina.

Fenomenologicamente, o caráter adorativo está intimamente relacionado com a obra
missionária, suas causas e suas conseqüências fazendo parte inerente da formação ministerial.

2. Discernimento para uma espiritualidade criativa

Ao avaliar a prática da igreja contemporânea, embora exista uma avalanche de louvor e
música na Igreja está aquém do compromisso com uma missão integral e global. O quanto e o como se canta para Deus é inversamente proporcional ao quanto e o como de faz pelo mundo sem Deus. Ademais da comercialização da música, a igreja adora pouco a Deus e canta muito para si mesma.

A pobreza na vida devocional da igreja, produz a pobreza na devoção ao mundo. Quanto
mais corretamente fala-se a Deus, tanto mais a Igreja se comprometerá com o mundo na
perspectiva de proclamar às nações para que elas também ofereçam sua oferta, uma vez
santificada pelo Espírito Santo (Rm 15.16-18). A adoração tem deixado de ser cristocêntrica para tornar-se antropocêntrica. A devoção a Deus não deve ser esquecida na adoração. John Piper assevera:

Quando a chama do culto queima com o calor da verdadeira dignidade Deus, a luz
da obra missionária brilhará até os povos mais distantes da terra. [11] E Carriker acentua:

Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo por missões certamente será fraco
também. As igrejas que não exaltam a majestade e a beleza de Deus dificilmente
poderão acender um desejo efervescente para "anunciar entre as nações a sua
glória" (Salmo 96.3). Os nossos cultos fervem com a exaltação da glória de Deus? O
zelo pela glória de Deus no culto motiva a obra missionária. [12]

Para que a missão da igreja não seja interrompida e nem mal interpretada há necessidade de mover os olhos e o coração a Deus. É interessante notar o que Carriker declara:
Se fosse pelo amor do ser humano, nossa ênfase deveria estar na salvação de
indivíduos que estão próximos, e isto, de fato, é a prática comum. O amor a Deus,
entretanto, leva a outra conclusão, que acredito ser a bíblica: a ênfase na prioridade de etnias, e especificamente etnias não alcançadas porque: há mais beleza e poder de adoração na unidade de culto derivada da diversidade de povos que canta todas as partes dum hino a Deus do que no coro que canta uníssono (Salmo 96.3-4); a fama, a grandeza, e o valor dum objeto de beleza aumenta na proporção da
diversidade daqueles que reconhecem tal beleza; a força, a sabedoria e o amor dum líder se magnifica na proporção da diversidade de povos que ele inspira para segui-lo; e ao focalizar todos os grupos humanos do mundo, Deus está subvertendo o
orgulho etnocêntrico que se baseia em alguns atributos distintivos que cada povo
gosta de destacar. Ao invés disto, o orgulho etnocêntrico natural de cada povo dá
lugar à graça imerecida de Deus.[13]

Portanto, ainda que a adoração esteja em crise, tanto pelo aspecto litúrgico cultural, como também por causa dos princípios a ela atrelados, deve-se entender a missão e adoração desvinculado de uma vida liturgia. No Novo Testamento, a vida é liturgia e liturgia é a vida. Os mais necessitados do ponto de vista da adoração são os que ainda nunca ouviram falar sequer o Evangelho do Reino. Os não alcançados devem ter prioridade na missão. O lema de Paulo é "não onde Cristo já fora anunciado" (Rm 15.20-21).

A Igreja deve repudiar o culto "antropocêntrico" e os princípios que não resultam em compromisso de vidas com a obra integral da Igreja. Neste caso a formação ministerial têm uma grande responsabilidade. Deve-se forjar nos alunos uma devoção que está vinculada a adoração, ao culto,e ao mesmo com a vida cotidiana,os afazeres, as atividades chamadas de “seculares”. Pois tudo envolve um culto a Deus.

As escolas teológicas ensinam em sua maioria uma espiritualidade voltada para os fariseus do século XXI, desprovida da vida de alegria, de graça e de energia. Há uma espiritualidade mais esotérica do que propriamente experiêncial.

Portanto, ao buscar a preservação da adoração bíblica, os seus professores de “liturgia e hinologia” e de “homilética” deverão ter a responsabilidade de preservar os princípios da verdadeira adoração, ensinando uma liturgia integral para que a igreja respondendo sinceramente a Deus, assim também responderá às necessidades da sociedade por meio daqueles que receberão o evangelho da graça de Deus.

3. Missão e Devoção: um ciclo retroalimentador.

Para compreender um pouco mais sobre a visão de uma espiritualidade que envolva
devoção e missão, há de ser usado o modelo franciscano. As ordens mendicantes foram a busca pela vida que se confunde com a devoção. Aqui a adoração se mescla com a vida de ministério. O monasticismo e as ordens mendicantes são termos estranhos à cultura evangélica atual, como também para o contexto teológico a que se está tratando. Contudo, é desafiador enquanto se caminha pela história das missões, estudar mesmo que não exaustivamente este momento histórico por que passava a Igreja Cristã. O momento que a Igreja Cristã estava vivendo gerava aqui e acolá, movimentos que tentavam reformar a Igreja, para que esta voltasse ao rumo ideal, sob as máximas do Evangelho do Reino e ao mesmo tempo aos pés do Senhor Jesus.

O monasticismo conquanto um grande movimento missionário em séculos passados,
estava neste momento histórico em crise. A igreja cristã, seguramente envolvida pelo caos espiritual, político e social, embriagada pelas “pompas e circunstâncias”, fechava os seus olhos para as reais necessidades do mundo como a miséria galopante que dizimava populações inteiras. Os movimentos intra e extra eclesiásticos eram “pedras que clamavam” a igreja o retorno a sua natureza missionária.
Valdir Steuernagel dá uma excelente definição sobre este momento e auxilia a
compreensão sobre as Ordens Mendicantes. Afirma ele: O monasticismo tem a sua história composta pela experiência de milhares de cristãos que desde muito cedo na história da Igreja desenvolveram um modelo de vida solitário e separatista. Vivendo de forma ascética e alimentado pelas fileiras leigas da Igreja, este movimento, que cedo formou os seus próprios monges e constituiu as suas próprias e poderosas comunidades monásticas, desempenhou um papel fundamental na vida da Igreja. [1]

Conquanto fosse também um movimento, conhecido como um tipo de “para-eclesiástico”, o
monasticismo pregava uma atitude excludente da sociedade. Se houvesse uma procura pelos monges, eles estariam, com certeza, entre as cavernas e os mosteiros, separados fisicamente do mundo, buscando uma espiritualidade contemplativa, uma devoção que não envolvia o semelhante, mas era algo muito individualista. O movimento mendicante, enquanto mantinha os mesmos ideais das ordens monásticas,
sua visão era muito mais ampla, como explica Steuernagel:
Mas o movimento mendicante vai além do monasticismo e introduz na decadente
igreja uma nova maneira de conceber a vida cristã. O ideal cristão não deveria ser
apenas a reclusividade monástica. Este tem um intrínseco caráter missionário e é
intestinamente comunitário. Enquanto o monge dizia “viva como se estivesse sozinho
com Deus neste mundo”, o frade, símbolo do movimento mendicante, dizia “viva
como se você existisse apenas em função dos outros”. O frade já não foge ao
deserto pelo deserto, ele invade a cidade, abraça o pobre e prega o evangelho.[2]

Portanto naquele momento, o movimento mendicante era uma tentativa de recuperar a
missão da igreja pela devoção a Deus e o amor ao próximo, vivendo no meio de uma sociedade em crise, envolvida por grandes transformações sociais. O surgimento das ordens mendicantes, dos Franciscanos, fundada por Francisco de Assis (1182-1226) e dos Dominicanos, fundada por Dominic de Gusmão (1170-1222), formaram um clamor para a recuperação da natureza missionária já diluída. Além disso, estes movimentos
puderam lançar luz sobre a necessidade de uma reforma missionária na igreja.

Para os mendicantes, espiritualidade era uma questão de engajamento na missão ao
mundo. No caso de Francisco de Assis, a idéia de espiritualidade se confundia com a devoção aos outros, a ternura para com os pobres e o respeito pela natureza como parte da criação que também deveria ser redimida.

A igreja cristã necessitava ser restaurada em sua missão, por meio de uma reforma das
suas motivações e de seus objetivos. As ordens mendicantes também radicalizam com seus objetivos. Em princípio outras ordens levavam a sério o ideal missionário que chegavam a estar prontos ao martírio foi para Raimundo Lullo, missionário na Tunísia e Argélia, morrendo apedrejado nesse país.

CONCLUSÃO
Assim, a igreja que é a fonte incrementadora de ministérios será a igreja missionária e aquela que gera e desenvolve ministérios de maneira que a espiritualidade é reconhecida como reflexo de um ministério sadio e verdadeiro. Todos os cristãos serão os “chamados”, serão considerados “ungidos” e valorizados igualmente. A igreja que vive sua missão ao mundo consagra os seus missionários, profetas, evangelistas, mestres, tanto quanto ordena seus pastores.

O déficit ministerial na Igreja será minimizado. Os missionários e pastores terão motivação para perseverar no campo. O caso é que muitos têm fracassado ministerialmente porque não têm aprendido a prevalecer. Isso porque tanto orgânica como espiritualmente a igreja não trata seus missionários e pastores no mesmo nível.

A vida ministerial e a espiritualidade atingirão o púlpito, que atingirá a liderança e a visão ministerial deixará de ser privilégio apenas para alguns. A visão demoníaca de expandir ministérios personificados em mega-projetos acabará.
Esta condição que vive a Igreja contemporânea é resultado da diluição de sua natureza
missionária deixando-se ser seduzida pelo estilo de vida do mundo. Há uma concorrência denominacional e ministerial não somente entre igrejas, mas também entre pastores. O estilo de marketing tem sido absorvido, mesmo que inconscientemente pelos ministros, levando a uma superficialidade do que seja vida de discipulado em Cristo e cooperação na obra de Deus. Frank Dietz fala corretamente sobre o assunto:

Os missiólogos nos ensinam que a primeira onda missionária foi iniciada com
Guilherme Carey e liderada principalmente pelos europeus. A segunda onda surgiu
com Hudson Taylor e foi liderada principalmente pelos norte-americanos. Uma das
coisas que foi definitivamente exportada pelo ocidente para o terceiro mundo foi o
espírito de competição. Se é verdade que esta terceira onda de missões será
liderada pelos dois terços do mundo, então é muito importante que exorcizemos esse
demônio de competição.[14]

Assim, é altamente importante que a igreja evangélica resgate esta devocionalidade e não somente o conhecimento teológico. Pastores e missionários que vejam a missão como adoração e a adoração como missão. Eis a realidade, eis o desafio.

Soli Deo Gloria

BIBLIOGRAFIA
Adiwardana, Margaretha. Missionários: Preparando-os para preservar. Curitiba: Editora
Descoberta, 1999.
___________________. Treinar Missionários para perseverar: um preparo holístico para situações
de adversidade. São Paulo, Editora APMB, 2001.
Blauw, Johannes. A natureza missionária da Igreja. São Paulo: ASTE, 1966.
Bonhöeffer, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1999.
Bosch, David J. Witness to the World. Atlanta: John Knox Press, 1980.
___________. Transforming Mission: Paradigm Shifts In Theology of Mission. New York: Orbis
Books, 1992.
Brennan Manning, O evangelho maltrapilho. São Paulo: Editora Textus, 2005.
Carriker, Timóteo. Missão Integral – Uma Teologia Bíblica. São Paulo: Editora Sepal, 1992.
_____________. Missões na Bíblia – Princípios Gerais. São Paulo: Edições Vida Nova, 1992.
_____________, ed. Missões e a Igreja Brasileira: Perspectivas Estratégicas. São Paulo: Editora
Mundo Cristão, 1993.
_____________, ed. Missões e a Igreja Brasileira: Perspectivas Teológicas. São Paulo: Editora
Mundo Cristão, 1993.
_____________, ed. Missões e a Igreja Brasileira: Perspectivas Históricas. São Paulo: Editora
Mundo Cristão, 1993.
César, Élben M. Lenz. História da Evangelização do Brasil – Dos Jesuítas aos Neopentecostais.
Viçosa: Editora Ultimato, 2000.
Costas, Orlando E.. The Church and his Mission – A Shattering Critique from the third World.
Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc, 1974.
Dietz, Frank. Ministros de Cristo no Século XXI. São Paulo: Abba Press Editora, 1995.
Green, Michael. Evangelização na Igreja Primitiva. São Paulo: Edições Vida Nova, 1989.
Gonzalez, Justo L. Uma História Ilustrada do Cristianismo – A Era dos Mártires, vol. I. São Paulo:
Edições Vida Nova, 1995.
________________. Uma história Ilustrada do Cristianismo – A Era dos reformadores. Vol 6. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1993.
Harlley, David. Missões Preparando aquele que vai. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1997.
Lidório, Ronaldo Almeida. Entre todos os Povos. Vila Velha: Editora Fronteiras, 1996.
Nasser, Antônio Carlos, A Igreja Apaixonada por Missões. São Paulo: Abba Press, 1995.
Neill, Stephen. História das Missões. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997.
Richards, Lawrence O. Teologia da Educação Cristã. São Paulo: Edições Vida Nova, 1983.
Silva, Ricardo Agreste. “A natureza e Propósito Missionário do Povo de Deus”, Campinas, 1999.
Steuernagel, Valdir R., ed. Igreja, Comunidade Missionária. São Paulo: ABU Editora, 1978.
Steuernagel, Valdir R., Obediência missionária e prática histórica, São Paulo: ABU Editora, 1993.
____________________. Obediência Missionária e Prática Histórica – Em busca de Modelos. São
Paulo: ABU Editora, 1993.

Notas:
____________________, ed. A Missão da Igreja. Belo Horizonte: Missão Editora, 1994.
[1] Margaretha N. Adiwardana, Treinar missionários para perseverar: um preparo holístico para situações de adversidade, em:
Capacitando para missões transculturais, (São Paulo: APMB, 2000), 5.
[2] Margaretha Adiwardana, Missionários: preparando-os para perseverar (São Paulo: Editora Descoberta, 1999), 26.
[3] David J. Bosch, Witness to the World. (Atlanta: John Knox Press, 1980), 176.
[4] Id, 95.
[5] Timóteo Carriker, Missão Integral,(São Paulo: Editora Sepal, 1992), 102.
[6] Brennan Manning, O evangelho maltrapilho, (São Paulo: Editora Textus - Mundo Cristão, 2000), 101.
[7] Evangelho de São Lucas 7.36-50
[8] Extraido das notas de sermões do Rev. Samuel Falcão, ex-professor e ex-diretor do Seminario Presbiteriano do Norte, em
Recife, PE, Brasil.
[9] Orlando Costas, The integrity of Mission (New York: Harper & Row, 1979), 91. Texto citado por Ricardo Agreste, em A
natureza e propósito missionário do povo de Deus.
[10] John Piper, Let the Nations be glad, (Grand Rapids: Baker Books, 1993), 11.
[11] Id.,12.
[12] Timóteo Carriker, A missão Integral da Igreja, (Campinas: 1999), 1.
[13] Id., 04.
[14] Frank Dietz, Ministros de Cristo no Século XXI, (São Paulo: ABBA Press, 1995), 96

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O QUE ESTAMOS FAZENDO COM A LITURGIA

Pecamos porque não conhecemos a história. A igreja cristã deveria adorar a Deus com o mesmo espírito com o qual Ele é adorado no Céu. O livro do Apocalipse é um exemplo disso. Todo ato litúrgico da Igreja Cristã não deveria, absolutamente, ser uma ostentação triunfalística, pois todas os momentos da liturgia deveriam servir para convidar o fiel a voltar o próprio olhar sobre si e não para fora de si.

A Liturgia não deveria atingir a imaginação nem seu fim deveria doutrinar e submeter os fiéis ao poder de outros homens que decidem por eles. A Igreja e a Liturgia outra coisa não deveriam ser do que um ambiente no qual saímos de nós fisicamente e espiritualmente para conseguir sempre mais e sempre melhor voltar o próprio olhar em si mesmo, lugar no qual Deus se revela. Para tal fim, a Liturgia deveria conduzir-nos a abrir os olhos do coração, isto é, da própria interioridade.
O primeiro exercício que o fiel deveria cumprir é o de afastar-se dos pensamentos e das fantasias da vida mundana, fazer um profundo silêncio sobre si. Somente assim os sacramentos e meios de graça começariam a interpelar e a interagir com a interioridade do homem.

A Liturgia, deveria “prender” o cristão de dentro para fora. O resultado seria aquele sentimento claro e sensível a intervenção de algo novo, de uma força anteriormente desconhecida. Tal força, que se faz sentir claramente em quem começa a abrir os olhos diante deste tipo de experiência, tradicionalmente é chamado pela Igreja com o termo “Graça”. É somente assim que a Igreja, em lugar de ser transformada pelo mundo, transformaria o mundo e, através do culto prestado a Deus, confessaria aquilo que crê e que vive, terminando por irradiar uma realidade que não é humana (“Eu vos dou a paz, minha paz eu vos dou. Não como o mundo a dá, eu a dou para vós...” Jo 14,27).

Naturalmente, sendo uma reunião, a Liturgia deveria exigir empenho. As palavras cantadas deveriam constranger e levar a interiorização, coisa que não acontece com o homem moderno. Porque qualquer liturgia de hoje parace mais um programa de auditório ou um show de fé.

A visão da liturgia deveria estabelecer que a Igreja não é um teatro ou um espetáculo televisivo! Muito menos é uma cátedra universitária. As pessoas deveriam entrar na igreja para serem ontologicamente transformadas e curadas, não para permanecer o que eram antes de entrar com alguma consolação sentimental a mais! É também completamente estranho ao espírito cristão original viver a Liturgia como se fosse um diálogo entre o celebrante e os fiéis, ou como se fosse um momento em que se pudesse ministrar a doutrina. A Liturgia deveria ser o lugar onde fala a força de Deus, não onde se demonstra a razão dos homens, por mais justa que possa parecer.

Hoje temos a necessidade urgente de que os líderes cristãos façam uma auto-crítica sobre o que estão fazendo da liturgia. Não é um momento de oferecer as pessoas o que elas desejam, mas delas oferecerem a Deus o que Ele deseja, por meio de uma experiência da fé e do sacramento que não apenas simboliza a inefável presença de Deus, mas que traz esta presença ao coração humano. A beleza litúrgica é o que se oferece a Deus e não o que é oferecido ao homem.

A participação da oração da Igreja não deveria concentrar-se intelectualmente num ensinamento codificado, mas para impregnar-se da beleza da Liturgia, mergulhar em sua atmosfera, nutrir sua alma, o coração e o espírito. É preciso entrar na Liturgia como uma criança que saboreia com surpresa as maravilhas do mundo, o que comporta uma atitude pacífica, ao mesmo tempo distendida e concentrada. Sem isso é impossível interiorizar-se, silenciar o coração. O silêncio que deveria ser o momento de oração, torna-se insuportável ao coração agitado de qualquer um que participe de um culto hoje em dia. Não se cultua pelo muito falar, mas pelo muito sentir.

Na Liturgia, o homem é chamado a render a Deus tudo aquilo que faz parte de sua vida, tudo o que a torna preciosa, tudo quanto constitui um dom de Deus e o transforma em ação de graças.

O que estamos fazendo com a Liturgia? Tornamo-la um programa de auditório, um ambiente cinematográfico, um elemento muito mais humano e hedonista do que o que deveria ser: Lugar onde se encontra com o Deus Todo-poderoso e onde há simplicidade e humildade diante da oferenda que se presta. Tormanos os cultos sinônimos de uma "antropolatria", onde o homem é o centro do momento, a começar do pastor ou do pregador. Não é mais a Palavra de Deus que impera mas a eloquência, o carismatismo dos pregadores, os testemunhos homéricos de homens cheios de uma fé extra-terrena. Onde a pergunta "quem vai pregar hoje", é o que importa, pois a liturgia deixou de ser um encontro com o divino, para se tornar um encontro do homem com seu próprio ego. É mais fácil encontrar a oração do fariseu do que a oração do publicano. Onde o orar de si para si, tomou o lugar do "Senhor, tem piedade de mim, pecador".

O que estamos fazendo com a liturgia?

Que Deus tenha misericórdia de sua igreja.

Kyrie Eleison

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O que fazer para orar?

«Quando orar, não procure se expressar em palavras extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração. Uma única frase nos lábios do coletor de impostos foi suficiente para lhe alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua oração, pare nesse ponto.» João Clímaco

terça-feira, 23 de junho de 2009

PÃO E CIRCO

Ademais de todo o avanço da tecnologia e da ciência, a sociedade ainda vive da realidade primitiva que acometeu o Império Romano. Com o crescimento urbano das cidades do Império, vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perdiam seus empregos. Esta massa de desempregados migrava para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador então criou a política do "Pão e Circo". Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.
Ainda esta política não somente ocorre no meio político como também no meio religioso. O utilitarismo e o consumismo tem levado muitos líderes evangélicos a desenvolver a política do "pão e circo". São os shows-gospel, quadrilhas juninas-gospel, eventos gospel. As pessoas buscam a Deus pelo que Ele "deve" dar (é a política do pão) e os líderes evangélicos fazem questão de oferecer as teologias "de-fundo-de-quintal" para saciar a necessidade das pessoas para entretê-las com o fim de satisfazer a carne que é a concupiscência dos olhos. Esta é a política do circo. É impressionante e demoníaco. É lamentável e indigno que o nome de Cristo, sua obra como formas mais sublimes do amor e da justiça divinas estejam hoje levinamente sendo expostos, tal qual se expõe uma mercadoria, um produto de mídia. Realmente o evangelho se tornou um acontecimento que une pessoas para evindenciarem o sistema do "pão e circo". Hoje a igreja evangélica necesita de Mega-Templos, (grandes coliseos), mega-pastores (gladiadores, ou melhor concorrentes). Mega-cristãos ou super-crentes, pois não basta mais viver a simplicidade de Jesus. É o famoso slogan: Grandes Igrejas-Grandes Negócios).Bem dizia um de meus célebres professores de teologia: "O Cristianismo nasceu como um fato na Palestina, foi para a Grécia e se tornou uma Idéia, depois foi levado a Europa e à América do Norte e se tornou um Empreendimento e chegou a América Latina e ao Brasil e se tornou um Evento". E há quem chame isso de "AVIVAMENTO". Icabode.... kyrie eleison.
"Senhor, onde estás?"

Oração para aceitação da vontade de Deus

Senhor, eu não sei o que te pedir.
Só tu sabes quais são as minhas verdadeiras necessidades.
Eu sei que tu me amas
mais do que eu amo a mim mesmo.
Ajuda-me a enxergar
quais são as minhas reais necessidades
quando estas estiverem fora de minha percepção.
Eu não ouso te pedir dores para mim,
tampouco te peço o conforto.
Somente em Ti é que eu posso esperar.
A Ti eu abro meu coração.
Visita-me e vem me socorrer em teu firme amor.
Quando me repreenderes
conceda-me a cura,
e quando me abateres
ergue-me da minha prostração.
Em silêncio eu reverencio a tua santa vontade.
Eu me ofereço a Ti como um sacrifício vivo.
Tenho posto toda a minha confiança em Ti.
Eu não tenho nenhum outro desejo
senão o de cumprir plenamente a tua vontade.
Ensina-me a orar.
Seja propício a min, Senhor. Amém.”

segunda-feira, 20 de abril de 2009

TRIBUTO A DEUS POR BEATRIZ

Hoje eu me levanto com um gozo no coração. Tributar a Deus todo o louvor pela alegria dos 15 anos de Beatriz. Quando Lucas foi embora com apenas 2 anos de idade, justamente, após 365 dias depois anos, Deus enviou Beatriz para restaurar a alegria que perdemos quando ele se foi. Na verdade ele jamais morreu. Ele está vivo na nossa mente e coração e mais vivo ainda no rol dos espíritos aperfeiçoados (carta aos Hb 12.23). Um dia nos encontraremos novamente e nossa alegria será eterna.

Beatriz chegou em 20 de abril de 1994 e seu nome veio da palavra latina "beata ou bem-aventurada": feliz e aquela que traz alegria. Em nossa tristeza, Deus mandou Beatriz. Veio trazer alegria, pois Jesus afirma: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados".

Hoje quando Beatriz completa 15 anos, digo a Deus: Obrigado Senhor, pela filha que tu mandaste, restaurou nossa sorte e encheu nosso coração de alegria. Resplandece tua luz sobre Beatriz para que o mundo seja mais feliz. Toda honra e toda glória sejam dadas unicamente ao Deus que veio ao encontro do homem, promovendo a esperança para que no dia eterno sejamos "bem-aventurados" completamente. "Ora, vem Senhor Jesus".

Beatriz: Eu te amo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

GRAÇA E NÃO DESEMPENHO

"Quanto mais tempo passar na presença de Jesus, mais acostumado [você] ficará com a face dele e precisará de menos adulação, porque terá descoberto, por si mesmo, que ele é suficiente. Em sua presença, você se deliciará com a descoberta do que significa viver pela graça, e não pelo desempenho."
Brennan Manning

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

CRESCIMENTO DE IGREJA? QUE IGREJA?

Quero mais uma vez reiterar minha visão de que esta filosofia de crescimento nada mais é do que uma visão de "mercado" que a igreja cristã ocidental adotou, fruto do estilo empreendedorista e armamentista. Nada mais é do que a ação demoníaca do proselitismo e do preconceito religioso. É iniludível como a igreja (e digo, todas) está atrás de dinheiro e não de almas, de investimento e meio-de-vida e não de amor e oração intensa. Temos que aprender a extirpar este espírito consumista e antropofágico. Fazer discipulos nunca foi sinônimo de crescimento. Jesus nunca mandou que se fizesse técnicas e métodos de Crescimento de Igreja. Apenas que vivenciássemos sua máximas de vida com todos que convivem conosco. Conversão se tornou um ato, um click, um estalar de dedos, e não uma caminhada a longo prazo na humildade. Se tornou um processo como adquirir um diploma, ou um titulo. Quem deve fazer alguma igreja crescer é o Espírito Santo. Se pusermos nossas técnicas de evangelização em ação, nada mais fazemos do que manipular as chamadas "conversões" em massa. Pessoas que se dobram a uma instituição e aos líderes dela, mas que não se dobram ao Espírito Santo. Uma igreja que não sabe se dobrar a Deus, buscando converter-se de sua vaidade e arrogância, que se acha detentora da verdade e não da humildade em todos os sentidos. Uma missiologia messianista. Crescimento de igreja, nada mais é, hoje, do que sinônimo de falta de amor em detrimento do acúmulo de bens de determinadas igrejas. A igreja precisa humilhar-se e reconhecer sua arrogância e sua vaidade. Precisa ser pobre de fato e distribuir suas fazendas e seus imóveis, porque como diz São Joâo da Cruz, pai do deserto: "Toda posse é contra a Esperança".

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

AMOR, HERESIA E MISSÃO

Não gerar amor, conhecendo, é como o ensino dos fariseus que certamente, não precederão as prostitutas nos reino de Deus. Jesus não está falando aqui de prostitutas convertidas. Note bem (rs).
A heresia é a fonte de todos os males. Não digo heresia do ponto de vista da teologia natural. O que é certo e o que é errado. A heresia está instalada há muito tempo, desde os apóstolos. Por isso eles eram rígidos quanto a isso.
Se o ensino (empírico) não existe, então tal ensino é heresia diante de Deus. Tudo que não vem de experiência com o transcendente não passa de falácia. O amor então passa a ser um amor falsificado, camuflado, travestido de piedade, diabólico e terreno.
O cristianismo ocidental é um tatear Deus no escuro. É a própria malignidade na pessoa do demônio. Muitas palavras, muito estudo, muita conjectura, muita vaidade, muita arrogância, muito proselistismo, muito atisvismo. Essas características são evidência de heresia. Por que quanto menos tempo para conhecer a Deus mais perto do demonio estamos, mesmo com todas as justificativas da missão. "Se tudo é missão, nada é missão". Stephen Neill.

AMOR, HERESIA E MISSÃO

Não gerar amor, conhecendo, é como o ensino dos fariseus que certamente, não precederão as prostitutas nos reino de Deus. Jesus não está falando aqui de prostitutas convertidas. Note bem (rs).
A heresia é a fonte de todos os males. Não digo heresia do ponto de vista da teologia natural. O que é certo e o que é errado. A heresia está instalada há muito tempo, desde os apóstolos. Por isso eles eram rígidos quanto a isso.
Se o ensino (empírico) não existe, então tal ensino é heresia diante de Deus. Tudo que não vem de experiência com o transcendente não passa de falácia. O amor então passa a ser um amor falsificado, camuflado, travestido de piedade, diabólico e terreno.
O cristianismo ocidental é um tatear Deus no escuro. É a própria malignidade na pessoa do demônio. Muitas palavras, muito estudo, muita conjectura, muita vaidade, muita arrogância, muito proselistismo, muito atisvismo. Essas características são evidência de heresia. Por que quanto menos tempo para conhecer a Deus mais perto do demonio estamos, mesmo com todas as justificativas da missão. "Se tudo é missão, nada é missão". Stephen Neill.

sábado, 26 de julho de 2008

TOCANDO COM FÉ

No Evangelho de São Marcos 5.21 a 34, entre o pedido de Jairo e a ida de Jesus a sua casa, há um interlúdio e a multidão vai com ele e um milagre acontece. A situação de uma mulher, sem nome, uma qualquer da multidão que possuía uma hemorragia por pelo menos doze anos. O texto bíblico afirma que ela sofrera na mão dos médicos, gastara tudo o que tinha e a sua situação era pior do que antes. Porém essa mulher teve a coragem de buscar em Jesus a cura de sua vida. Para isso ela necessitou romper com paradigmas de seu tempo. Primeiro, foi a sua condição social de vergonha, alienação e desprezo daqueles que a rodeavam. Como judia e mulher, jamais era permitido que tocasse em um homem, então, ela quebrara este paradigma. Esse toque foi seu último recurso. Pensando neste episódio, quero retirar algumas verdades para nosso consolo. A primeira verdade: TODOS NÓS TEMOS UMA FERIDA CRÔNICA. Uma hemorragia que só Jesus pode curar. São as experiências positivas e negativas que trazemos desde o nosso berço. Dentre elas nossas falhas e erros, as quais são feridas que não cicatrizam se não forem tratadas. Além disso, o fluxo de sangue, simboliza uma série de feridas físicas, emocionais e espirituais que nos acometem. A segunda verdade: TODOS NÓS SOMOS IGUAIS. A graça de Deus não nos isenta do sofrimento. Aquela mulher era do povo e estava no meio do povo. Não há nenhum ser humano isento de sofrimentos, mais ou menos santo, mais ou menos privilégiado. Todos são direta ou indiretamente envolvidos pela vida que se degenera, que se interrompe, que é passiva do infortúnio. A terceira verdade: TODOS NÓS SOMOS SINGULARES. Não há ninguém como nós. Embora sejamos iguais por vivermos as consequências da vida e de seus infortúnios, somos singulares para Deus por que Ele quer nos tratar de maneira singular e única. Mesmo se nos compararmos àquela mulher que sequer foi lembrada pelo seu nome. Todos se esbarravam em Jesus, mas só ela tocou nele com fé. A melhor e contínua notícia é esta: Jesus deixa-se ser tocado. Assim, nós devemos reter as seguintes lições: Ao tocar em Jesus, nos aproximemos dEle com temor e tremor. Ao tocar em Jesus, nos prostremos e o adoremos, como Senhor. Diante de Jesus, estejamos abertos para o verdadeiro Deus. Sinceridade é tudo. Honestidade conosco mesmo é essencial. Não se esqueça que quem lhe ouve e trata de você é Ele e não as pessoas que geralmente podem fazer um julgamento temerário de você mesmo. Faça como a mulher que declarou toda a verdade (Marcos 5.33). Quais os resultados deste encontro? A cura de Jesus se processou de 3 maneiras: Jesus promove cura física (5.27). Jesus redime o seu corpo: "Fica livre do teu mal". Jesus promove cura emocional (5. 34b). Ele redime a sua mente, sua psiquê: "Vai-te em paz". E ainda: Jesus promove uma cura espiritual (5. 34c). Ele redime a sua vida por um nascimento do alto. Ele afirma: A tua fé te salvou. Enquanto aqui, sempre estaremos vivenciando esta experiência. Todos os dias, sempre necessitamos destas curas e destes toques. A conversão nunca é completa, inteira, porque estamos sempre envolvidos pelas experiências, as mais inusitadas e mais frustrantes. Precisamos aprender a chegar perto de nosso Pantocrator (Todo-Poderoso). Ele nos sarará, sempre, pelo amor que tem por nós.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

SER FRACO OU SER FORTE, EIS A QUESTÃO...

Quando essa questão foi posta para o Apóstolo Paulo e ele teve que defender sua autoridade perante os Cristãos de Corinto, ele respondeu dessa forma: "gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza" (II Co. 11:30). Glória na fraqueza? Sem dúvida, a humilde realização de nossas fraquezas é benéfica para cada um de nós, mas como podemos servir a Igreja dessa maneira? Ao mesmo tempo, o santo Apóstolo insiste em sua resposta e explica: "Porque quando estou fraco então sou forte" (II Co. 12:10).

Porém isso não é um paradoxo, nem jogo de palavras, nem contradição. O Apóstolo não mostra traços de ser "imaginativo" ou "mordaz." Ele escreve da plenitude de seu coração, de uma profunda convicção. Seu significado é direto. Ele fala do princípio Cristão de vida.

O Cristianismo transtorna os conceitos usuais dominantes no mundo, e em particular o conceito de poder. No Cristianismo poder é o que "parece para o mundo ser impotência, o que aparece para a visão míope do mundo como sendo uma desprezível fraqueza. Fraqueza é a lei da nova vida e ação, sob a qual bandeira o Evangelho declara guerra ao mundo. "Bem aventurados são os pobres de espírito. Bem aventurados os que choram. Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra."

E assim, duas leis contraditórias de vida põem-se uma contra a outra, dois reinos: o reino dos mansos e o reino do poder. O reino dos mansos é obrigado a fazer guerra contra o reino do poder, por estar localizado no meio e cercado por todos os lados pelo reino do poder e força.

A Igreja é mansa. Por essa razão ela tem necessidade de proteção e defesa. Só que os meios de defesa dela devem ser bons. O cuidar da Igreja foi confiado pelo Senhor ao próprio povo da Igreja, ou seja, para cada Cristão. A esse respeito, nós estamos retornando aos tempos dos primeiros Cristãos. Nossos tempos nos chamam todos para um padrão de sacrifício consciente e constante pela Igreja, cada um com seus talentos e meios. Porém o principal poder do serviço não está em nosso conhecimento ou habilidades e chamados. O principal poder está naquela "fraqueza através da qual o poder de Deus vem habitar."

Cada um de nós tem um lugar na comunhão da Igreja e a forma de participação no serviço da Igreja é variada e plural. Porém isso, não nos dá o "poder" de decidirmos sobre o que é melhor ou pior, nem mesmo de sermos cismáticos, ou fragmentarmos o Corpo de Cristo como bem achamos ou sentimos.

O Apóstolo escreve: "Cada um fique na vocação em que foi chamado." Traduzindo essa citação em conceito contemporâneo, nós podemos dizer que não existe uma profissão boa construtiva, e uma posição social na qual a pessoa boa não possa de tempos em tempos com seu bom bocadinho para o trabalho da Igreja...

Deve-se ver a Igreja como o Corpo único de Cristo, um organismo único, uma única substância. A individualidade de cada pessoa é o plano confiado a ela. Para ela trabalhar, purificar e produzir frutos. Trabalhando em nós mesmos, nós trabalhamos para o todo, para a Igreja inteira, para sua Cabeça, o Salvador sem ser. Deixando-se o plano fora de controle, negligenciado-o, condenando-o, nós trazemos dano não só para nós mesmos, mas também para a Igreja. Não juntando o que é da nossa alma, nós espalhamos o que é da Igreja.

Portanto, cabe aqui uma posição de contrariedade a todo e qualquer espírito que não parta da fraqueza e cabe dizer que os dons como são plurais, são exercidos não somente dentro e para a comunidade de fé, mas para todo o mundo, para todo o cosmo.

Só podemos servir e viver se aprendemos a viver no espírito de Cristo, é na fraqueza e não no poder humano. É nada tendo, mas possuindo tudo. Por isso o empreendorismo eclesiástico megalomaníaco sempre ficará de fora do verdadeiro Reino de Deus.
[adaptado de Michael Pomazansky]

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Abrindo a porta do curral das ovelhas

Há muito tempo, não havia notado a função do porteiro na narrativa que Jesus faz do Pastor e suas ovelhas no capítulo dez do evangelho de João. Ele afirma que para que as ovelhas saiam do curral, é necessário que o porteiro, que vê vir o pastor abra a porta e assim elas sairão para junto do Pastor e assim haverá um só rebanho e um só pastor. E fiquei a me inquirir: "Quem é o porteiro"? Então logicamente entendi: É a igreja! São os líderes religiosos! Pois são eles os guardiães das ovelhas de Cristo. Cabe então abrir a porta das ovelhas. É uma tarefa muito simples, não é? Abrir a porta para que elas saiam e encontrem com o Sumo-pastor, parece simples, mas não é. Porque na maioria das vezes, os "porteiros", acabam pensando que o curral é deles e as ovelhas também. E quando Jesus aparece para chamar as ovelhas, acabam não abrindo, como deveriam, ou não abrem mesmo. As ovelhas não são deles, são de Cristo. A tarefa de abrir a porta é uma tarefa muito dificíl, pois aí está envolvida o denominacionalismo, o preconceito, e uma porção de coisas. Especialmente o egoísmo e a avareza dos líderes. É, abrir a porta do curral para que as ovelhas encontrem as pastagens verdejantes tal como Davi no Salmo 23. É a tarefa de não querer aparecer e somente ser um facilitador. Abrir a porta é vencer o ególatra que está dentro de nós e o espírito messiânico que escraviza e tende a nos fazer mais donos da igreja e das ovelhas do que o próprio Jesus, que deu a sua vida por elas e o sangue delas requererá de nossas mãos.
Kyrie eleison.