sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas

Tratar todos com respeito, com prudência e com simplicidade evangélica. [...] É mais conforme com o exemplo de Jesus a simplicidade mais atraente, não separada da prudência dos sábios e dos santos, que conta com a ajuda de Deus. A simplicidade pode suscitar, não digo desprezo, mas menor consideração entre os sabichões. Mas pouco importa que os sabichões, de quem não devemos fazer caso, possam provocar-nos alguma humilhação de juízo e de tratamento; tudo redunda em seu prejuizo e confusão. O simples, reto e temente a Deus é sempre o mais digno e o mais forte. Naturalmente, apoiado sempre por uma prudência sábia e graciosa. Possui esta simplicidade quem não se envergonha de confessar o Evangelho, mesmo diante de homens que o consideram uma fraqueza e coisa de crianças, nem de confessá-lo em todas as suas partes e em todas as ocasiões e na presença de todos; não se deixa enganar ou influir pelo próximo nem perde a serenidade de ânimo por qualquer atitude que os outros adotem com ele. Prudente é quem sabe calar uma parte da verdade cuja manifestação seria inoportuna; e que, calada, não prejudica a verdade que diz, falsificando-a; quem sabe conseguir os bons fins que se propõe escolhendo os meios mais eficazes [...]; aquele que, em todos os assuntos, distingue a substância e não se deixa importunar pelos acidentes [...]; que, como base de tudo isto, espera o êxito unicamente de Deus. [...] A simplicidade não tem nada que contradiga a prudência, nem vice-versa. A simplicidade é amor; a prudência, pensamento. O amor ora, a inteligência vigia. Velai e orai, conciliação perfeita. O amor é como a pomba que geme; a inteligência ativa é como a serpente que nunca cai na terra, nem tropeça, porque vai apalpando com a sua cabeça todos os estorvos do caminho.
Angelo Giuseppe Roncalli
Diário da Alma, 13 de agosto de 1961, Paulus Editora, 2000


segunda-feira, 25 de junho de 2018

REFLEXÕES APÓS 30 ANOS DE MINHA ORDENAÇÃO PASTORAL

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Actos 20.24

O que tenho aprendido em meu 30º ano de serviço pastoral? Há muito que escrever, mas pelo que percebo, as experiências sempre se diluem quando tendemos a falar ou a escrevê-las. Portanto, sintetizo aqui algumas lições que colhi nestes 30 anos de ordenação.

1. A vocação não pertence a igreja institucional e sim a Deus.
Uma das questões mais absurdas é achar que a igreja institucional detém a vocação e os dons de Deus. Assim como o profeta que possuía uma relação misteriosa com Deus, assim é a relação do pastor com Deus. E por causa disso, assim como nascemos do alto, do alto também advém a vocação e a missão de cada um, acolhido pela graça de Deus. A vocação é obra do Espírito Santo. Ela não se origina na “igreja-sistema”, porém é nela que a vocação deve ser exercida e reconhecida. A vocação, portanto, é um privilégio pessoal mais do que uma obrigação. Quando se obriga a uma tarefa já que não é de natureza própria e jamais será vocação, e sim atividade profissional. Há muitos que querem vincular uma vocação a uma denominação religiosa, mas o Espírito Santo é como o vento e a vocação dEle não possui limites institucionais. Da mesma maneira que somos nascidos em Deus, em Deus também somos chamados. Portanto, o ministério é supra-denominacional.

2. A vocação pastoral é espinhosa.
Os espinhos existem. São dados por Deus. Ele é aquele que delimita nosso campo de acção. Os espinhos e a dor são importantes para que o pastor não seja arrogante e vaidoso. A humilhação é o único caminho para que de facto ouçamos a Deus e com ele relacionemo-nos. Não pode haver pastor vaidoso ou arrogante. Independente da vocação sempre existirão espinhos na vida pastoral. Sejam as perdas, as enfermidades, as tragédias, as pessoas de fora ou de dentro da igreja, líderes ou não, o pastor precisa aceitar os espinhos de sua vida pastoral.

3. A vocação pastoral é gloriosa.
Ademais dos espinhos, a vocação é gloriosa, primeiro porque ela vem de Deus e se vem de Deus, ela é livre como ele é. É glorioso perceber que no sofrimento está a glória, que a cruz é loucura, que viver a misteriosa relação com Deus é a maior satisfação da vida pastoral. Viver a vocação pastoral é tratar com as coisas mais gloriosas do universo.

4. A vocação pastoral é para pecadores.
Não existe a menor possibilidade de pensarmos que somos "especiais". Quanto mais consciente da santidade de Deus maior será a convicção de pecado. Quanto maior for nossa relação com Deus maior será nossa perceção da imundície que somos. O ministério pastoral não dá margem para se pensar que há "ungidos". O que pode haver é um pastor mais consciente e outro menos consciente da sua pecaminosidade.

5. A vocação pastoral terá um julgamento mais agravante.
Ser pastor me dá a perceção que no Dia do Juízo, ele irá olhar para mim com um olhar mais firme, não do ponto de vista da graça, mas do ponto de vista de minhas obras. Exercer o ministério pastoral me dará sim maior possibilidade de ser envergonhado do Dia de Cristo se não for fiel Àquele que me designou.

6. A vocação pastoral exige uma experiência profunda com Cristo.
Não há barganhas ou trocas com Cristo. Somente há uma vida de gratidão. Quando estiver a abusar da graça de Deus, é bem possível que eu mesmo já tenha deixado de viver como Cristo viveu. Quando passamos a tratar de maneira familiar das coisas de Cristo, então já perdemos a noção de que a vocação vem dele. Ao extrapolar da graça de Cristo, revelarei quanto estarei distante da vocação pastoral.

7. A vocação pastoral deve considerar a oração como o pulmão da alma.
Não há qualquer possibilidade de ser pastor e não viver uma vida de oração. Ao arriscarmo-nos nisso podemos até praticar a "não-oração". Essa prática revelará que de facto nunca tivemos nenhum conhecimento de Cristo em nós. Se “os pássaros voam, os peixes nadam, o pastor ora”. Orar é essencial para alma. Mas a oração não é e nunca será uma verborragia intelectual, senão um encontro de contemplação. A oração nunca será uma homilia para Deus e sim uma experiência de intimidade que jamais terei o direito de abrir sair a contar os seus segredos para comigo. Quando não se ora a alma não respira.

8. A vocação pastoral e o estudo não são incompatíveis.
Embora o teólogo fosse no início dos primeiros séculos considerado pela igreja como "aquele que fala com Deus e para Deus", pois a prática teológica era envolvida pela experiência de fé, isso não alienava a igreja de desenvolver teses e estudos para combater as heresias que entravam em seu meio e também aquelas que brotavam de dentro dela. Portanto naquela época a oração e a defesa da fé se completavam. O serviço pastoral nos nossos dias também requer a mesma prática. O estudo a fim de instruir os fiéis e fortalecer os que são provados exigem que o pastor seja bem preparado e um fiel expositor bíblico, seja na prática da pregação como no ensino e treinamento através do discipulado para com os que se congregam, embora o mundo evangélico esteja tão fragmentado e vivamos sim num mundo de pluralidade religiosa. Não há como separar a ação pastoral do estudo.

9. O sofrimento é inerente a vida pastoral.
Num mundo de confusão cúltica e doutrinária, principalmente devido ao evangelho da prosperidade, ensino de demônios que procura dissuadir os fiéis, sofrer tornou-se uma palavra esquecida em nosso meio. A vida pastoral sem o sofrimento torna os pastores apenas bons ilustradores de um evangelho hipócrita. Quando não vivemos as experiências de sofrimento, de perdas, de fracassos, de doenças e da depressão no ministério, seremos bons replicadores de uma fé inócua.

10. A perseguição dentro da igreja institucional é real e concreta.
Se o sofrimento faz parte da vida pastoral, sofrer dentro da “igreja-sistema” é o primeiro lugar. Depois de trinta anos estando a frente de várias igrejas e comunidades, experimentamos o abuso e exploração de pessoas e de líderes que jamais perceberam o evangelho de Cristo e promoveram perseguições as mais variadas, desde a perseguição através da calúnia e difamação como também várias investidas contra a nossa vida física. Se queremos viver o evangelho, sofrer dentro da instituição é uma decorrência natural, porém recriminada e combatida pelo Senhor nos evangelhos.

11. Ser pastor é ter filhos normais.
Ser pastor é ter filhos normais. Digo isso porque meus filhos nunca foram adestrados a serem "pastorzinhos". É uma lástima quando implementamos em nossa casa e na igreja valores aos membros da igreja que desnaturalizam e descaracterizam nossos filhos de serem cristãos normais como qualquer outro. Há famílias de missionários que encarnam tanto a vocação do pai que não conseguem fazer outra coisa senão estar a viver dependendo do ministério do pai-pastor. É trágico quando não desenvolvemos nos filhos a liberdade de serem o que foram chamados para ser. Percebo muitos pastores que imprimem tamanha personalização em seus filhos que criam “dinastias feudais eclesiásticas” para que seus filhos sejam os "sacerdotezinhos" a continuar ministérios centrados no genitor. Extirpo uma visão assim. Meus filhos sempre viveram e viverão a buscar suas próprias vocações, chamados específicos e dou graças porque nunca os obriguei a replicar meu ministério pastoral.

12.Não há outra coisa mais importante do que testemunhar da graça de Deus.
Se a graça a este favor que me impele a continuar, é esta mesma graça que continuarei a testemunhar. Mas a graça só tem valor na nossa vida se não houver sentimento meritório de qualquer natureza. O mérito exclui a graça. Onde há sentimento de merecimento não há espaço para o Espírito Santo. Por isso há tantos ministérios áridos e pastores amargurados e rancorosos. Viver e testemunhar a graça é a razão de experimentar a graça e ser submisso a Cristo não por dever e nem por produtividade, mas por simplicidade não esperando nada mais que apresentar-me diante de Cristo nAquele Dia quando ele se encontrar comigo.

13. Mesmo que você queira deixar de ser pastor, nunca o conseguirá.
Durante alguns momentos de minha tentei abandonar a carreira pastoral. Por uma série de razões e situações. E nestas horas sempre vinha a minha mente a figura do profeta Jonas. Abandonar o chamado é buscar "um navio em Jope ancorado esperando o próximo passageiro". Jonas nunca conseguiu abandonar o chamado de Deus, porque Este habitava o seu coração. De facto, você nunca conseguirá abandonar sua vida pastoral, se de verdade você tiver sido chamado por Deus para exercer o cuidado pastoral. Contudo sempre preste atenção, como bem diz meu amigo Ronaldo Lidório: “sempre haverá um barquinho em Jope para lhe levar até o outro extremo da vontade de Deus”.

Algumas destas reflexões são vindas de meu coração e escritas para que eu me lembre que devo continuar. Mas também se você estiver pensando em abandonar o ministério, medite nestas poucas linhas antes de tomar qualquer decisão.

Kyrie Eleisson

terça-feira, 22 de maio de 2018

Reflexões "após" os 500 anos do Protestantismo Religioso

Quero confessar que relutei em escrever sobre os 500 anos da Reforma Protestante em outubro de 2017. Muitos estavam a escrever e diante de tantos escritos e tantas meditações, diante de tantas celebrações e pregações, nas igrejas ou nas redes sociais, esta reflexão seria diluída. Por isso compartilho apenas agora. Não quero saturar a mente do leitor que está cansada de tantos escritos a traduzir a Reforma Protestante apenas como um ato espiritualizado na história. 

Gostava de deixar aqui uma reflexão, de cunho muito pessoal, pois creio que devemos sempre aprender com a história. Como bem disse Edmund Burke: "Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la". Portanto, creio que se fizermos uma leitura honesta, livre dos óculos denominacionalistas que usamos e retirássemos as escamas dogmáticas da nossa mente, tantas vezes tendenciosas e preconceituosas devido a linha religiosa e cultural de cada um, poderíamos fazer uma autocritica responsável e sincera. Isso iria nos ajudar, em muito.

O uso do termo "Protestante" não foi afirmado por Lutero e pelos seus seguidores e sim pelo ato de protesto dos príncipes alemães diante do Rei Carlos V. Esse termo então passou ao movimento, mas antes de ser teológico, foi muito mais político. Protestaram e romperam com o domínio político da Igreja Romana. Nesta época o movimento reformista trouxe um "frescor" ao pensamento tacanho e mesquinho. Num tempo onde o pensar era cerceado e policiado pelos príncipes da teologia e investigado pelos apologistas dominicanos, pela insegurança de Roma e o medo terrificante de perder o controle sobre os povos a que subjugava, os reformistas trouxeram uma nova forma de pensar. Claro que essa forma de pensar não era nada nova. Estes quiseram retornar as origens, motivados sim pela filosofia do Movimento Renascentista. Foi no retorno às línguas originais da  Escritura Sagrada, dos Pais Gregos e Latinos que o modo de pensar reformista teve um novo alento. O pensamento direcionado, modelado e orientado pela religiosidade medieval trazia angústia, escravização dos saberes e opressão. 


Na época "pensar" era um direito dos nobres teólogos e príncipes da igreja oficial. Havia um sentimento de medo naqueles que queriam pensar mas não podiam. Era o medo de perder a família, os bens e de serem queimados como hereges. O tempo estava translúcido para os pensadores. As 95 testes de Martinho Lutero confrontou um clero que banalizava a graça de Deus e a oferecia a troco de míseras moedas de um povo ignorante e analfabeto. Roma e seu cristianismo matava os homens pelo medo, pela espada e pelo fogo. 

Hoje, precisamos também de uma nova Reforma. Sim, uma Reforma do pensar humano, o pensar que traga um novo frescor ao estilo de vida cristão. Em muitos arraiais religiosos evangélicos nada é mais importante do que repetir fórmulas verbais, viver de um passado desconectado da sociedade com um estilo de vida irrelevante revelando uma fé inócua que nada pode produzir neste mundo. 

Os atuais evangélicos que se afirmam "herdeiros da Reforma Protestante" deveriam viver a nossa época com um alvo nobre, o mesmo dos que viveram no século XVI. Naquele tempo, o alvo era condicionado pela questão: "como o evangelho de Cristo pode ser relevante para esta geração?".  Esse evangelho moldou a cosmovisão do movimento como vanguarda do tempo. 

Precisamos de coragem para fazer nossa autocrítica e compreender que o evangelho exige que sejamos inteligentes e sábios como os reformadores foram. Os evangélicos deveriam se preocupar em manter os princípios inegociáveis da fé - isso envolve conhecer a Bíblia como Escritura Sagrada, a tradição apostólica e a história honesta - mas também comprometerem-se com a contextualização do evangelho em cada povo e cultura e não nos sepultarem-se na inoperosidade ética, moral e política. 

A Reforma Protestante rompeu com Roma, porque rompeu com o "óbvio", o mecanicismo cultual, a pusilanimidade e a inatividade dos doutores de uma igreja que haviam se tornado "sanguessugas" do sistema religioso da época. Não é mais possível ser passivo diante do mundo e de pessoas altamente capazes. Viver o óbvio é uma lástima. Isso parte de pessoas que nada podem oferecer senão um tradicionalismo ignorante e anacrônico. Estou a falar da necessidade que os evangélicos saibam responder a Deus tão profundamente que a vida de fé e a experiência eliminem naturalmente os "testemunhos" e exemplos ridicularizados pela sociedade agnóstica. A isso chamo de contextualização inteligente, bíblica e relevante por meio do evangelho que não muda mas que durante o processo histórico se conecta na vida cultural das pessoas como "a resposta" de suas almas. 


Cristo chama sua  sua igreja para comunicar de modo que inúmeras pessoas sejam chamadas a fé verdadeira. A igreja deve saber adaptar o evangelho supra-cultural dentro de sistemas culturais específicos. É o que vemos o Senhor fazer, depois seus apóstolos, os pais apostólicos, os pais da igreja e tantos outros. Isso nos chama a pensar nossa missão, se ainda estamos a fazer desta um instrumento de relevância. O mundo cansou-se do cristianismo colonialista, imperialista e impositivo das Cruzadas de evangelização modernas. Cansou-se da fé cristianizante e do evangelho massificante e populista. 

O mesmismo evangélico é aquele enraizado em seminários teológicos que têm transformado os estudantes em "profissionais da fé" para a manutenção do "status quo" denominacional. Hoje os conhecidos evangélicos já somam mais 50.000 grupos distintos em todo o mundo não conseguindo conviver uns com os outros. Quebramos os ossos simbólicos do Corpo de Jesus, quando nem na cruz quebraram seus membros.

Conquanto a reforma tenha trazido uma reordenação e abertura da mente eclesial, hoje na formação de estudantes é ocultado deles o que deveriam ler. Não podem ter acesso a uma formação realmente teológica. Vivemos um mesmismo teológico, porque as escolas de teologia deixaram de "formar" para "informar". Perdeu-se a piedade cristã, a prática da oração, o trabalho do testemunho comum. Estamos a tornar os estudantes de teologia piores do que a igreja de Roma fazia com seu clérigos na Idade Medieval. Eles serão os líderes do século XXI?  

Nosso maior desafio é na verdade voltarmos ao evangelho simples e profundo de Cristo. Simples devido a essencia da "fé una" e profundo devido a experiência da "fé orante". Vivemos um movimento e não uma vida de fé simples com profundas experiências. Seja bem esclarecido aqui que a palavra "experiências" não significa nem por um momento a idéia ridícula e ignorante dos atuais evangélicos renovados. A Reforma Protestante do século XVI nos ensinou muitas coisas, mas uma delas, talvez a principal foi responder a um mundo miserável e sofrido. Hoje fala-se de uma fé, mas uma fé que nada produz senão eventos e movimentos pragmáticos. Uma fé que não produz mudança política e mudança social é fé morta que tanto São Tiago combateu. Lembremos por exemplo que a Reforma implementada por João Calvino em Genebra foi tão importante que não se tolerava uma igreja sem uma Escola e sem apoio social no acolhimento dos refugiados.

Nossa urgente necessidade é de um retorno a oração incessante e adoração pessoal e coletiva. Conhecer a Deus em Cristo envolve fé empírica desprenteciosa. Aspectos da teologia reformada nos faz ver que havia uma forte conciencia na soberania de Deus. A afirmação "Soli Deo Gloria" não era apenas uma argumentação seca, mas a concepção de que se Deus é soberano, minha oração era um instrumento para conhecer mais a Ele e não para transformá-lo numa marionete folclórica. O uso desprentesioso da oração precisa tornar o centro de vida de adoração, ao contrário dos atuais herdeiros da reforma que vivem insatisfeitos e estão sempre a pedir a Deus muito além do comer, beber e vestir. A oração tornou-se uma prática muito mais tecnologica do que um estilo de vida contemplativo e motivado pelo facto de conhecer mais a Cristo.


Vivemos dias de uma confusão cúltica. Tornamos nossos encontros, eventos para conseguirmos sim adeptos do que adorar a Deus sem qualquer outro motivação. Assim percebemos que os shows evangélicos e encontros nada mais são do que acontecimentos motivados pelo dinheiro e fama, nada diferentes do cristianismo medieval e imoral da época. 

Memória sem autocrítica é ser saudosista passivo. Autocrítica sem memória é ser ignorante pró-ativo. Sem coragem de fazermos uma autocritica, estaremos fadados a viver a um protestantismo alemão duzentos anos após a Reforma de Lutero que estava árida e seca na vida e na prática espiritual. Mas ainda nesta época assim como Deus é soberano e usa a história para sua glória  havia um "toco" que floresceu. O pietismo levantou a igreja alemã reafirmou a tradição apostólica, a Escritura e a vida piedosa. Ali mais uma vez o remanescente promoveu a obra missionária feita sem tecnologia, sem dinheiro e sem mídia, porque pessoas tocadas profundamente pelo evangelho foram suficientes para considerar o que Deus poderia fazer na simplicidade e na sineceridade de seus corações.

Mudança e retorno. Sejam estas duas palavras que norteiem a vida dos cristãos verdadeiros do século XXI. 

Que o Senhor nos ajude.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Nada preferir a Cristo

Nosso Senhor Jesus Cristo disse a todos, por várias vezes e apresentando diversas provas: «Se alguém quiser vir após Mim, que renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga»; e também: «Aquele de entre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo». Parece, pois, exigir a renúncia mais completa. [...] «Onde estiver o teu tesouro», diz noutra altura, «aí estará o teu coração» (Mt 6,21). Portanto, se reservamos para nós bens terrenos ou qualquer provisão fugaz, o nosso espírito permanece aí atolado, como que na lama. É então inevitável que a nossa alma seja incapaz de contemplar a Deus e se torne insensível ao desejo dos esplendores do céu e dos bens que nos foram prometidos. Só poderemos obter esses bens se os pedirmos sem cessar, com um desejo ardente, que, de resto, nos tornará leve o esforço para os atingir.

Renunciar a nós mesmos é, pois, soltar os laços que nos prendem a esta vida terrena e passageira, libertar-nos das contingências humanas, a fim de sermos mais capazes de caminhar na via que conduz a Deus. É libertar-nos dos entraves, a fim de possuirmos e usarmos bens que são «muito mais preciosos do que o ouro e a prata» (Sl 18,11). Em suma, renunciar a nós mesmos é transportar o coração humano para a vida no céu, de tal forma que possamos dizer: «A nossa pátria está nos céus» (Fil 3,20). E, sobretudo, é começarmos a tornar-nos semelhantes a Cristo, que Se fez pobre por nós, Ele que era rico (2Cor 8,9). Temos de nos assemelhar a Ele se quisermos viver em conformidade com o Evangelho.

Basílio (c. 330-379), 
bispo de Cesareia da Capadócia, 
doutor da Igreja 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Preso mas liberto

Já imaginaram o impacto espiritual que a vida de Paulo, apóstolo produziu enquanto preso? Vejam o que ele diz: "Desejo, portanto, irmãos, que saibais que tudo o que me aconteceu tem, ao contrário, servido para o progresso do Evangelho, de tal maneira a ficar evidente para toda a guarda pretoriana e para todos os demais que é por causa de Cristo que estou na prisão. (Fp 1.12,13). Ele nos diz que toda a guarda do palácio do imperador Nero havia recebido a mensagem do evangelho. Impressionante. A vida de um homem mesmo preso possui consequências que somente o Espírito pode saber. Portanto, vivam, vivam, vivam Cristo apenas, sem esperar resultados aos seus olhos carnais.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

UM NATAL SEM TRENÓ E SEM PRESENTES


O Natal comemorado pelos ocidentais a cada dia se dilui em festa, comilança e bebedeira. Há muito tempo nosso ocidente não sabe de fato o que o Natal representa para o mundo cristão. Com a ascensão da globalização e do consumismo, até mesmo as igrejas mais históricas e tradicionais tem se permitido envolver-se pelos devaneios e paixões do nosso século. 

O oriente não tem sido tão afetado como o ocidente. Em muitas regiões no Leste Europeu, não há nenhuma celebração a não ser a religiosa dentro do calendário cristão. Lá o Natal não é comemorado no dia 25 de dezembro e sim em 6 de janeiro. Não há a figura entorpecente do Papai Noel, o bom velhinho. Não há roupas vermelhas sendo vendidas nas lojas. O Leste europeu, devido a posição da igreja oriental, tem pelo menos se protegido deste insano natal ocidental. Ainda quero ver um Natal celebrado com a consciência cristã verdadeira, sem troca de presentes, sem que as pessoas se juntem para a glutonaria e a bebedice. 

O mundo que somente conhece o natal da Coca-cola e dos Estados Unidos, vai continuar a celebrar com muita farra e devassidão. Mas você pode fazer diferente. Estar junto a sua família da fé é a primeira atitude que temos de um verdadeiro Natal. O Natal celebrado conscientemente é aquele onde louvamos a Deus, agradecemos a Ele por tão grande milagre. O milagre da encarnação. Quando Deus desceu, ele se fez gente como nós. O universo que jamais pode conter o Deus infinito, misteriosamente agora recebe o Deus-menino, nascendo de uma mulher, vivendo como nós, aprendendo a ser humano. 

Qual será sua consciência neste Natal? Ademais de toda crise política e econômica, nós não precisamos depender dela para que nosso Natal faça sentido. Sem presentes, sem trenó, sem shoppings, sem farra. O Natal é de Cristo, não é meramente um “Feliz natal” mas um Natal celebrado com a oração, com o cântico de Maria, envolvido pela mensagem da Palavra de Deus. 

Natal se faz presente quando somos chocados pela mensagem que Deus se fez homem para pagar o preço mais alto de nossa vida. Ele nasceu já com uma sentença de morte: a cruz. Mas ela nunca foi considerada o seu propósito final. A cruz e sua morte capital, trouxe a ressurreição e a Nova Era que Cristo veio inaugurar. Sem Natal não há cruz, não ressurreição, logicamente não há esperança, não há eternidade e não há vida. 

Veja que coisa trágica. Milhares de pessoas hoje comemoram um natal sem esperança. A esperança que todos falam, é uma esperança vazia, etérea, sem perspectivas futuras. Natal para milhares é apenas uma “vida boa” enquanto se vive. O Natal de Cristo vai além, extrapola a insanidade dos filósofos ateus e agnósticos. O Natal de Cristo é o âmago da fé cristã. Portanto, celebremos a Cristo, sua encarnação, nascimento, vida e ressurreição e esperemos aquele grande Dia, quando após voltar segunda vez, encarnado e ressuscitado em corpo para que cada um tenha a graça de vê-lo como nós somos, porque seremos, como Ele de fato é. 

Feliz Natal de Cristo, Rev. Luiz Augusto

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O MELHOR VIRÁ? NÃO, O MELHOR JÁ VEIO!



O mês de dezembro se reveste de um sentimento especial. É o período onde a Cristandade celebra com alegria a “encarnação de Deus”. O grande evento que marcou a humanidade foi quando o Deus Todo-Poderoso, pisou em nosso chão. Uma célebre frase nos chama a atenção: “Quando Cristo se encarnou, Deus foi passo-a- passo aprendendo a ser gente”. 

Esta frase é correta, embora estranha. Muito mais estranho e misterioso foi a encarnação. Impossível aos homens de se salvarem, Deus em sua soberania, desde os tempos eternos decidiu resgatar os homens, fazendo-se homem e cumprindo as exigências do primeiro pacto, o "Pacto das Obras". Nada é mais provocativo que pensar e admitir que Deus tornou-se humano. 

Nenhuma religião em todos os tempos admitiu e afirmou a humanidade de Deus. Nenhuma crença por melhor que seja chegou a confessar que Deus veio em carne. Essa é a primeira e grande afirmação do Cristianismo. Embora tão alto e tão infinito, Deus agora se fez gente. As palavras do apóstolo João reiteram esse fato: “O Logos (a Palavra, o Verbo) se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade e vimos a Sua glória, glória como a do Unigênito do Pai” (João 1.14). 

Em seu conselho soberano, Deus amou o mundo (o cosmo). A começar da “coroa de Sua criação” e a partir dela, Cristo propõe uma nova criação nEle, restabelecendo e renovando esta terra a fim de que o ser humano receba o privilégio de “glorificar a Deus e ter prazer nEle para todo o sempre” (BC-p.1). Cristo se fez homem a fim de que o homem seja co-participante da natureza divina, por meio de seu sangue imaculado vertido na cruz do Calvário (II Pe 1.4). 

Portanto, neste mês de Dezembro, aproveite para agradecer, louvar, adorar, orar, contemplar ao Senhor Jesus Cristo, agradecendo a Deus pelo seu eterno amor por nós, em se baixar e humilhar-se a tal ponto de cumprir por nós aquilo que nenhum ser humano poderia cumprir: a obediência e o prazer em Deus, o Criador. 

Louve a Deus pelo seu “dom” inefável, adore e consagre-se neste mês de Dezembro, reafirme sua fé unicamente nEle, e proponha-se a, fielmente ser-lhe grato por toda vida, buscando arrependimento e a conversão a Cristo. O Natal somente terá sentido em nossa existência quando estivermos plenos de Deus, pois é nEle que subsiste toda a vida, seja aqui, seja além. 

É o tempo de rever valores e conceitos. É tempo de olhar para nós e aliviarmos a carga de tanta opulência e vaidade. É momento de consagrarmo-nos a fim de nos parecer mais e mais com o “Homem-Deus” em nossa missão, em nossa ética e em nossos relacionamentos. Bom Natal em Cristo!

Rev. Luiz Augusto

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O MODELO DE UM VERDADEIRO MISSIONÁRIO





Não é nada fácil deixar a sua cultura e migrar para viver em outra. Imagino a luta do primeiro e grande missionário. Estava em sua zona de conforto, tinha o aconchego de sua família, e que família! Um amor inigualável, um ambiente de amor e de doação. Sua realidade permitia que se beneficiasse de uma alimentação de primeira qualidade, não adoecia jamais. A relação com os empregados da casa era de total confiança e todos lhe obedeciam, afinal era filho único e na verdade todos lhe eram obedientes . Quanta segurança, quanta alegria, quantas mordomias. 

Mas um dia ele decidiu ser missionário. E para isso com a anuência de seu pai, preciso abrir mão de sua família, teria que ir sozinho. Abriu mão do aconchego, do carinho e da intimidade. Abriu mão da excelente alimentação, dos empregados que lhe eram fiéis e foi embora de casa. 

Teve que se submeter a um sistema diferente. Teve que sentir na pele e na mente bem como nas emoções uma nova maneira de pensar, de sentir, de procurar entender o povo e as pessoas que ele agora estava se relacionando. Pelo fato de ter uma saúde perfeita antes, agora começou a adoecer, suas emoções outrora muito bem equilibradas, agora eram tendentes a pressão e dependentes da opressão de uma realidade que não era a sua antes. 

Precisou se adequar à nova comida. Por certo, jamais se nivelaria ao seu paladar, mas, quanto esforço por se submeter aos tipos de refeição os mais indigestos. Sem falar de que precisou aprender a se submeter a um sistema político totalmente corrupto e miserável, onde o mais imoral era louvado e o governo era nefasto. Aprendeu a pagar impostos exorbitantes. Teve que aprender alguns idiomas, coisa que anteriormente nem era preciso de sua parte se preocupar com a comunicação em sua família. Ali havia um "sexto-sentido" onde todos se comunicavam sem precisar falar. Teve que aprender a se submeter a um sistema social injusto e viver nele. Quanta coisa este primeiro missionário teve que suportar. 

Ao final, seu maior sucesso foi aprender a se submeter a calúnias e difamações de muitas pessoas. Poderia abandonar o campo missionário devido a tantas pressões, mas foi até o final. Acabou sendo morto, cruelmente assassinado. 

Mas valeu a pena. A plantação de sua igreja, começou com 1, depois com 3, depois com 12, depois com 120 e então para 3000, e subiu para 5000 e sua comunidade transpôs povos, territórios e gerações. 

O que achei interessante nesta história é que se ele não abrisse mão de sua condição, de seu tempo, de suas prioridades, de seus títulos, de suas conquistas e de seus afazeres, jamais eu iria receber o que recebi dele mesmo: seu ideal, sua paixão e sua motivação. 



Obrigado meu Cristo por me ensinar a lutar contra mim mesmo para que eu aprenda todos os dias a ser de fato um missionário segundo seu coração.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

QUEM É O PRESBÍTERO?


É sumamente importante lembrar que a escolha dos ofícios na igreja deve ter como base o dom espiritual e a disposição de liderança espiritual. Segundo a Palavra de Deus o presbítero deve ter as seguintes qualificações: “Irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar. Não deve ser dependente do vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Não pode ser recém-convertido. Deve ter boa reputação perante os de fora (1ª Tim 3.2-7). Tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão. Deve ser encarregado da obra de Deus. Não ser orgulhoso, não briguento, não violento, nem ávido por lucro desonesto. Deve ser hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, deve ter domínio próprio e apegado firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela (Tt 1.6-9). 

A Constituição da IPB também determina nos seus artigos 28, 29, 51 que “a admissão a qualquer ofício depende: da vocação do Espírito Santo, reconhecida pela aprovação do povo de Deus e da ordenação e investidura solenes, conforme a liturgia. Que nenhum oficial pode exercer simultaneamente dois ofícios, nem pode ser constrangido a aceitar cargo ou ofício contra a sua vontade. E que compete ao Presbítero: levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares; que deve auxiliar o pastor no trabalho de visitas, que deve instruir os novos na fé, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude. O Presbítero deve orar com os crentes e por eles e informar o pastor dos casos de doenças e aflições. Ele deve distribuir os elementos da Santa Ceia, tomar parte na ordenação de ministros e oficiais; e representar o Conselho no Presbitério, no Sínodo e Supremo Concílio. Ainda lembra nossa Constituição que o presbítero tem nos Concílios da Igreja autoridade igual à dos ministros. 

Portanto irmãos, oremos e escolhamos mais uma vez um irmão segundo a vontade de Deus. Precisamos enxergar a vontade de Cristo, estar em sincronia com o ministério do Espírito Santo. Se assim não for, corremos o risco de viver uma vida religiosa, mas sem o referendum de Deus. Sem isso, com certeza estaremos sabendo muito, cantando muito, falando muito sobre Deus, mas fora do Reino de dele.



Que oremos: “Senhor, queremos homens que nos apascentem com sabedoria e entendimento”. (Jeremias 3.15)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Um lampejo de sua presença.



Se soubéssemos o que nos aguarda na eternidade não gastaríamos tanto tempo com coisas efêmeras, com assuntos triviais. Se apenas tivéssemos um lampejo da presença de real de Cristo, com certeza investiríamos o restante de nossa vida, pensando sobre a eternidade, vivendo em Cristo, falando de Cristo e desejando mais de Cristo. Falaríamos menos de nós, pensaríamos menos em nós, desejaríamos viver como ele viveu, amaríamos mais como ele amou. Se apenas tivéssemos uma pequena e rápida luz de sua santidade não desejaríamos mais viver como vivemos hoje. Como faríamos diferença para nós mesmos... como as estratégias, métodos, de evangelização seriam tão irrelevantes, como o dinheiro seria sem valor, como as riquezas não encheriam nossos olhos. Se apenas tivéssemos um verdadeiro lampejo de sua real presença! Para nós, viver assim é impossível, mas para Cristo tudo é possível. Quanto mais nos abramos para sua graça e mais para a oração, sim, isso pode ser possível, sim se tivermos um lampejo de sua presença.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

“LEVANDO O EVANGELHO DE CRISTO AOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA”


A missão da igreja só é completa se esta age de acordo com o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando temos uma visão verdadeiramente bíblica, isto é, de acordo com a visão que Deus requer de nós, então de fato podemos ter certeza que estamos agradando a Ele e fazendo sua vontade. Atos 1.8 nos diz que o testemunho dos discípulos de Cristo deveria ser simultâneo e não progressivo. Ao falar que o testemunho da igreja aconteceria tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra, entendemos que essa ação deve acontecer em todos os povos ao mesmo tempo.

Portanto, hoje não podemos ter uma visão menor ou reduzida da missão do Espírito Santo. Assim sendo ao recebermos o desafio de servir além de nossa fronteiras brasileiras recebemos este chamado não como de uma instituição, mas sim do Senhor. Estamos certos de que o Senhor está abrindo portas para que estejamos servindo a igreja que está espalhada nos países de língua portuguesa. Nosso propósito neste projeto é conscientizar, mobilizar, assessorar e treinar líderes nativos na propagação da Palavra de Deus em campos transculturais dentro e fora de Portugal, bem como atuar na plantação e revitalização de igrejas locais presbiterianas. Os países lusófonos são as nações de fala portuguesa como Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Assim sendo esperamos que o evangelho que já está nestes países possa adentrar aos interiores dos mesmos por meio de missionários e missionárias, nativos, bem capacitados e preparados missiológica e teologicamente. 

Irmãos, este projeto é por demais importante. Aqui em nossa terra temos já o privilégio de anunciar e viver o evangelho e atualmente o nosso país tem sido um celeiro missionário para povos de todo o mundo. Chegou o momento de pedirmos as orações e o apoio de nossa querida igreja em Jardim São Paulo para este grande trabalho missionário. Por isso, nosso testemunho deve ser em Jardim São Paulo, em Pernambuco, no Brasil e nos povos espalhados pelo mundo inteiro não de modo progressivo, mas sim de maneira simultânea. Aqui já temos muita gente de Cristo, mas nestes países lusófonos temos tão poucos. Temos pequenas comunidades presbiterianas em Portugal. Nossa igreja irmã portuguesa pede: “passa o atlântico e ajuda-nos!”

Assim a Agência Presbiteriana de Missões, o Instituto Bíblico Português e a Igreja Cristã Presbiteriana Portuguesa fizeram um acordo para que nós estivéssemos sendo enviados a Portugal e de lá pudéssemos servir aos irmãos de língua portuguesa. Gostaríamos de contar com suas orações e sua parceria. Tive o privilégio de servir os irmãos por sete anos e agora o Senhor está a nos enviar para outros campos. Não podemos fazer isso sozinhos, contamos com o dono da obra, o Espírito Santo e com as orações e apoio da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo.



Rev. Luiz Augusto

SUA RELIGIÃO É VERDADEIRA OU É VAZIA?


Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum! Tiago 1.26



Estamos encharcados de discurso. Palavras chegam aos nossos ouvidos segundo após segundo, seja pelo que lemos, vemos ou ouvimos. Mas, e as palavras que nós falamos? Já pensou que sua fé é a causa do seu falar, o quanto fala e como fala? Tiago nos alerta que dependendo do que falamos e como falamos revelamos para os outros e para nós mesmos se nossa religião é verdadeira. 

Portanto precisamos nos conscientizar que a religião verdadeira precisa ser vista fora da igreja e fora da liturgia. Não pode ser medida pelo culto que praticamos publicamente. Ao entregar sua vida a Cristo uma verdadeira mudança deve começar a ocorrer na vida de alguém. O modo de falar, suas conversações, sua sensatez em ouvir e em falar, na maneira que julga pessoas e situações e que exprime um ponto de vista vão sendo mudados de acordo com a maturidade espiritual de cada um.



Tiago afirma, “mas se não refreia a sua língua”... Isso tem a ver com autodomínio. O domínio-próprio é a virtude do Espírito, do enchimento dEle. Se alguém é cheio do Espírito tal pessoa fala muito pouco. Quer saber se você é cheio do Espírito? Pense o quanto você é capaz de criticar outros com facilidade. O verdadeiro cristão é alguém comedido e continente em suas palavras. É vagaroso em criticar e julgar. Vê mais pecado em sua língua do que na língua de quem quer que seja. O livro de Eclesiastes nos diz: “Quem obedece às suas ordens não sofrerá mal algum, pois o coração sábio saberá a hora e a maneira certa de agir” (8.5). O apóstolo Tiago nos diz que o sábio é aquele que sabe refrear sua língua. Quer ver alguém cheio do Espírito, este está lutando com o seu modo de falar. O livro de Provérbios nos diz: “Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se” (Pv25.28). 

Portanto irmãos, somos recomendados a cuidar de nossa língua e de nossa linguagem. Se você não consegue ficar sem criticar pessoas, se você se sente com facilidade de julgar os outros, ouça as palavras de Cristo: “Não julguem, e vocês não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados. Pois a medida que usarem, também será usada para medir vocês" (Lc 6.37,38). 

Outro aspecto da língua é o modo que se fala e as palavras que são usadas por nós. Estamos num tempo onde os palavrões e as palavras de baixo-calão estão sendo usadas de forma mais natural possível. Os jovens de hoje especialmente, não tem problema nenhum de serem coloquiais no mais baixo nível. O cristão verdadeiro está preocupado com o que diz e quais as palavras que usa no seu dia a dia. Tudo isso serve para nos fazer testemunhas verdadeiras que revelam que nosso linguajar é produto de nosso coração e a maneira que nos relacionamos com Deus. O apóstolo Paulo já dizia: “não saia de sua boca nenhuma palavra torpe, mas sim a que for boa para construir a espiritualidade nas pessoas”. 

Jogue no lixo aquilo que é lixo. Não faça de sua linguagem o que não deseja ouvir dos outros. Não critique, não julgue, não se evidencie como juiz sobre pessoas e coisas. Mostre a sua espiritualidade pelo fato de falar pouco. Precisamos lutar com nosso coração a fim de que nossa boca fale do que esteja cheio o coração. 

Como anda a sua religião? Meça-a não pelo tempo que ora ou pelas esmolas que dá, ou pelo discurso sobre sua fé. Procure medí-la pelo quanto não fala e não julga. Não esqueça: a língua é um mal incontido, por ela uma floresta inteira pode pegar fogo. Por ela louvamos a Deus e com ela podemos ser uma maldição para as pessoas que nos rodeiam. 



Rev. Luiz Augusto

O DOM DE LÍNGUAS


As Línguas e o Batismo com o Espírito Santo


Aprouve a Deus que o batismo com o Espírito Santo, ocorrido no dia de Pentecoste, como um evento histórico-escatológico crucial, fosse marcado por manifestações especiais, como o som de vento impetuoso, línguas de fogo e o falar em línguas estrangeiras. 

As duas primeiras destas manifestações foram restritas àquele evento, e a última ocorreu ocasionalmente na era apostólica. Todas elas estavam ligadas ao processo de universalização do Evangelho, segundo At 1.8, e pertenceram assim, como sinal do cumprimento da promessa do Espírito, àquele período específico da história da redenção. 

É importante notar que ao relatar à Igreja de Jerusalém a descida do Espírito sobre Cornélio e os de sua casa, o apóstolo Pedro só pôde referir-se a uma experiência semelhante, ocorrida alguns anos antes, ou seja, à de Pentecoste, e não a experiências mais recentes. Isto sugere que entre o Pentecoste e a conversão de Cornélio, que ocorreu vários anos depois, nenhuma outra experiência semelhante à do Pentecoste havia ocorrido que pudesse servir de referencial mais recente.

Alguns têm entendido e afirmado que as línguas são a evidência inicial mais importante do batismo com o Espírito Santo. Essa afirmação baseia-se principalmente nas narrativas do livro de Atos em que o batismo com o Espírito Santo é seguido pelo falar em línguas. Entretanto, o livro de Atos igualmente relata várias outras ocasiões, que podem ser descritas como “batismo com o Espírito Santo,” em que as línguas não



aparecem, como a conversão dos três mil no dia do Pentecoste, o caso dos Samaritanos, e a conversão de Saulo. Embora o argumento do silêncio não seja conclusivo, no mínimo revela que, para o autor de Atos, as línguas não eram indispensáveis como evidência do batismo com o Espírito Santo. 

Quando o autor de Atos as menciona ao narrar o ocorrido na casa de Cornélio e com os discípulos de João Batista, seu propósito é deixar claro que a descida do Espírito sobre estes grupos foi da mesma ordem do ocorrido no Pentecoste, como desdobramentos de um evento inaugural único. Em nenhum lugar do Novo Testamento as línguas são mencionadas como a evidência normal do batismo com o Espírito Santo, ou da Sua plenitude, para os crentes, após o Pentecoste. A evidência inconfundível da plenitude espiritual, segundo Paulo, é o fruto do Espírito. Portanto, o falar em línguas não deve ser considerado como a evidência de nenhuma destas duas experiências. 

Extraído: Carta Pastoral da Igreja Presbiteriana do Brasil

SONHO DE PASTOR



Se puder chamar o que vou escrever aqui de sonho, então chamarei. Talvez seja a manifestação de minhas orações ao longo destes sete anos onde estive pastoreando a IPJSP. Na verdade ao colocar estas linhas diante de teus olhos, querido leitor, me torno mais uma vez alvo de teus julgamentos pessoais, porém, não me dou por me sentir julgado por você e sim por Deus que conhece meu coração. 

Sim, sonhei e diante de Deus sempre desejei que ao deixar um dia a IPJSP, pudesse vê-la não maior em número de pessoas ou que ela estivesse mais rica financeiramente. Sempre sonhei com uma comunidade madura espiritualmente. Sonhei com pessoas mais engajadas não por obrigação, mas sim pelo amor que possuem por Cristo. Sonhei com uma liderança segura e forte, comprometida com a visão e a missão de ser igreja no nosso bairro e na nossa cidade. Nunca pensei em implementar modelos de outras igrejas em nossa comunidade. Sempre entendi que cada igreja tem sua forma de ser e por isso esperei sempre que a nossa IPJSP pudesse ter um estilo próprio, um jeito próprio de ser na liturgia do culto, nos cultos de oração e no exercício dos dons de cada um. 

Por isso sempre esperei que cada membro e congregado pudesse compreender meus pensamentos através dos inúmeros sermões e inúmeras aulas de escola dominical. Sempre esperei que cada um pudesse aprender comigo como se fazia tal coisa, como se postava em determinado problema... 

Nossa igreja ainda está passando por uma transição, assim vejo eu. O movimento de pessoas que passam por nós e que não se enraízam é porque não compreenderam que o lugar deles seja ali. Porém muito me entristece quando ao receber uma pessoa por transferência, por batismo ou profissão de fé, no insistir com elas de que é um voto ao Senhor que fazem no momento de seus batismos, e logo depois elas abandonam a igreja, somente posso entender que estas não haviam de fato submetido suas vidas ainda a autoridade da Palavra de Deus e que a sua prática de vida precisava se moldar ao discurso delas.

Sonhei durante estes sete anos com uma igreja missionária. Não entenda missionária porque há um departamento de missões encabeçando projetos e promovendo conferencias, mas uma igreja onde cada um sabe de fato o seu lugar no Corpo de Cristo. Uma igreja madura e um cristão maduro sabe muito bem o que está fazendo para Cristo e para os outros.

Sonhei com uma igreja madura onde cada um vive com alegria a sua função no corpo e está comprometido com isso, evitando assim a murmuração, a fofoca e as múltiplas obras carnais tão nefastas para as comunidades de hoje. 

Sonhei com uma igreja onde os pais e avós estivessem cuidando de trazer seus filhos e netos para a escola dominical, onde o engajamento do serviço social e diaconal fosse um esforço de alegria e dedicação entre todos.

Sonhei com uma igreja adoradora, não porque cantasse muito nos cultos, nem que tivéssemos muitos louvores, mas que entendesse que o centro de toda a adoração fosse Cristo, o Senhor!

Posso dizer meu querido leitor que ainda sonho. A nossa igreja cresceu muito, mas ainda falta amadurecer bastante. Espero que ao olhar para trás depois de muitos anos passados, possa eu sentir que durante este tempo que aqui passei não tenha corrido em vão. Sem dúvida, disso já me sinto em paz, pois nada do que realizei aqui foi para minha glória e sim para que Cristo fosse glorificado nas palavras e nos atos de minha vida, muitas vezes nem sempre compreendido, mas de fato acalentado em meu coração.



Rev. Luiz Augusto

AUTORIDADE E SUBMISSÃO


              

O maior erro é a rebeldia contra a autoridade de Deus. Na eternidade, Satanás não só violou a Santidade de Deus, mas pior do que isso, ele se rebelou contra Deus. Ao desejar usurpar o trono de Deus e ser igual ao Deus todo-poderoso, ele foi precipitado para a terra. Adão e Eva praticaram o mesmo pecado. Ao desejarem o fruto e comerem dele, estavam não apenas desobedecendo a uma ordem divina, mas se rebelando contra a autoridade de Deus. Nossa situação para com Deus e de toda a humanidade é uma situação de rebeldia contra a autoridade divina.

Esse tema sempre foi mal-entendido pela grande maioria das pessoas e ainda hoje esse assunto é controverso devido as interpretações errôneas sobre “autoridade”. “A controvérsia do universo centraliza-se sobre quem deve ter autoridade e nosso conflito com Satanás é o resultado direto de atribuir autoridade a Deus” (W.N.). 

Na vida de Saulo, o Fariseu após encontrar-se com o Senhor Jesus na estrada para Damasco, reconhecendo a autoridade de Cristo, foi capaz de submeter-se a orientação de Ananias, um simples homem, porque discerniu o que era autoridade de Deus. O significa que quanto a este assunto, devemos considerar não o ser humano, mas a autoridade que é conferida a este. Não obedecemos ao homem, mas a autoridade que está nele, neste caso devido a sua fidelidade a Palavra de Deus. Deus tem o propósito de manifestar sua autoridade ao mundo por meio da igreja e esta autoridade pode ser expressa na diversidade dos dons que Ele concedeu ao Corpo de Cristo. Então a pior coisa é levantar-se contra a autoridade de Deus. Esta autoridade é conferida não por revelações externas, mas pela sua Palavra revelada nas Escrituras Sagradas. 

Por isso temos tanta dificuldade de absorver o que seja autoridade delegada. Se tivermos discernimento deste ponto, teremos mais zelo pelos que exercem funções de liderança no povo de Deus. Para que Deus exerça sua autoridade, homens e mulheres necessitam estar atentos a questão da autoridade delegada de Deus. 

Fazer a vontade de Deus é o alvo de todo cristão. Vontade representa autoridade. Assim se alguém quer fazer a vontade de Deus e obedecer a ela, precisa antes estar sujeito à autoridade de Deus. Mas como alguém pode sujeitar-se a autoridade de Deus se não ora ou não tem desejo de conhecer a vontade de Deus? Nosso Senhor considerava a autoridade de Deus e sua vontade mais importante até do que seu sacrifício na Cruz. Ele afirmava em oração: “acaso não beberei o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18.11). Portanto antes de pensarmos em vontade de Deus devemos estar certos de que precisamos aprender a sermos submissos a autoridade dEle.

Precisamos reconhecer a sua autoridade sobre nós, se de fato estamos neste Reino de Deus. Assim, não teremos nunca a indisposição de fazer a vontade de Deus. Quando temos dificuldade de fazer a vontade de Deus significa que estamos colocando em dúvida a autoridade dele sobre nossa vida. Isso envolve o que fazemos e como fazemos as coisas. Qual o nosso propósito na vida e nossos alvos pessoais e coletivos. Na vida da igreja também é assim. Ser submisso a vontade de Deus é obedecer a autoridade dele, mesmo que isso não seja favorável a nós. Pois então, qual tem sido o seu nível de reconhecimento da autoridade de Deus?



Rev. Luiz Augusto

sexta-feira, 22 de julho de 2016

APRENDENDO A ORAR UNS COM OS OUTROS

Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles". Mateus 18.20

Um dos maiores desafios para nós é aprendermos a orar uns com os outros. A oração, não é apenas uma conversa comum, mas um verdadeiro encontro com o Senhor. Por isso Nosso Senhor Jesus ensinava seus discípulos dizendo: “Pai Nosso”. Mas para que Deus nos ouça não apenas individualmente, mas também coletivamente, é essencial que tenhamos uma mesma percepção dEle, abrindo-nos para um encontro espontâneo e voluntário, livre de chavões e “palavras mágicas” tantas vezes empregadas em orações como “amuletos” espirituais.

Mas devemos ter cuidado com os “entraves” para a oração em conjunto. Por exemplo, quando oramos, também estamos ensinando outros a orar, por isso necessitamos eliminar determinadas barreiras intelectuais e culturais. Se usarmos de palavras comuns quando oramos em conjunto, as pessoas que nunca oraram, terão o desejo para orar, pois teremos que lidar com questões como regionalismos e intelectualidade. As orações simples e breves são essenciais nos cultos de oração e nos cultos dominicais. Muitos se sentem impedidos de orar porque já existem em determinadas igrejas aqueles que são os conhecidos “oradores oficiais”. Isso não deve existir!

Quando temos um “grupo seleto” de pessoas na igreja que oram, outras não orarão por pensarem que as que oram são as mais espirituais e as mais consagradas. Muitos são até chamados de “ungidos” e outros os que possuem o “dom da oração”, coisa que não é verdade. Para aprendermos a orar devemos estar abertos às orações espontâneas e também às orações escritas. Isso favorece os que ainda nunca oraram e disciplina os que oram demais se perdendo e divagando em seus pedidos quando estão juntos. O Reformador João Calvino usava nos cultos divinos orações espontâneas e orações escritas. 

A maneira como oramos é importante, pois como seremos solidários a oração de outro irmão se não conseguimos ouvi-lo de modo que concordemos com ele e oremos de acordo com ele compartilhando dos seus fardos e de suas alegrias e desejos? Por isso a oração coletiva deve conter a prática da oração solidária e evitarmos a oração quando todos oram de uma só vez. Isso não ajuda, pois a oração não é apenas para Deus e sim para a edificação de uns com os outros.

Quando oramos unanimemente e com equilíbrio, ensinamos outros a orar, rompemos barreiras e o preconceito religioso, abandonamos os chavões e palavras “mágicas”, não manipulamos “gestos” e “trejeitos” sem impormos um “padrão”. Além disso, as orações escritas e espontâneas são igualmente importantes, pois todos podem romper as barreiras “pseudo-espirituais” como se os que oram fossem os “mais espirituais”. Além disso, quando oramos juntos ouvindo cada oração, tornamo-nos empáticos e solidários ao coração do outro. Portanto, aprendamos a orar juntos e sem cessar.

Pax Christi (Paz de Cristo)

A ORAÇÃO BASTA!


Dediquem-se à oração! (Paulo aos Colossenses 4.2) 

Há um provérbio da Igreja Antiga que diz: “O pássaro voa, o peixe nada e o homem ora”. A comunidade dos discípulos entendia que a pessoa que se encontrava com Cristo, jamais poderia deixar de se relacionar com Ele incessantemente através da oração, pois isso era parte da sua essência e de sua natureza. 

A única maneira de alguém viver uma relação com Deus é a oração. Sem oração a vida perde o sentido e o homem vive para si mesmo e para sua mais dramática realidade: a morte. Se não há sentido na vida então não há vida. Há um incontável número de pessoas que não oram, nem dentro e nem fora das igrejas. 

Nosso mundo foi tomado pela pressa. O que mais fazemos hoje é comunicar-nos por meio das redes sociais. O Facebook, o Whatsapp e o Twitter são os meios mais comuns de diálogo, porém quanto mais tecnologia menos a pessoa fala com Deus. Se fala “muito de Deus”, mas “pouco com Deus”. Antes, quando os filhos saiam para viajar as mães partiam para a oração, rogando a Deus pela sua vida, pois a dúvida e o medo de algum acidente eram reais. Hoje as mães não oram mais, se servem do celular e mantém um contato constante com seus filhos. A oração foi banida de nossa vida prática. 

Outros fazem uso frequente da oração, mas com motivações pragmáticas. Neste caso justifica-se a oração como o “bater para receber”, o “pedir para ser respondido”. Aqui se fala muito da “oração eficaz” ou da “eficácia da oração”. Nas livrarias há uma centena de livros que falam de oração como o meio para obter “sucesso”. Isso é a forma mais primitiva da oração. A “barganha” com Deus e uma boa ênfase no “mérito pessoal” é a forma mais pagã para buscar se relacionar com a divindade. Ambas as realidades acima descritas são uma tragédia. 

Diferentemente, precisamos nos convencer que não há vida se não houver oração. A oração e somente a oração é o único caminho para se conhecer a Deus. Esta é a premissa da vida. Nenhuma pessoa pode sobreviver sem a vida de oração constante. A oração deve ocupar a prioridade, o centro e a essência de qualquer um que se diga cristão ou se ache discípulo de Cristo. 

Mas esta oração não deve ser “meio” para soluções do dia-a-dia, ou a busca por receber bênçãos da parte de Deus. Oração é o meio e a ferramenta com a qual podemos conhecer mais a Cristo e isso tão somente é suficiente. Isso Basta. Foi isso que levou no início da nossa Era Cristã, milhares de pessoas ao deserto. A fome de Deus era tamanha que multidões desejam viver para Deus como única forma de alimentar a sua alma. 

Um verdadeiro avivamento espiritual se caracteriza pela oração e pela sede de Deus, pois não outro caminho a Deus. O maior prazer está na necessidade de Deus em nós! Portanto, pense quanto tempo você tem dedicado a Cristo em oração e se lembre que tempo é sinônimo de prioridade. Rev. Luiz Augusto

“BASTA SER COMO UMA CRIANÇA”


O país vive uma crise de autoridade. Autoridade que depende não somente de legitimidade para governar como também condições, qualificações e caráter para tal. O sistema no qual vivemos sempre afirma a autoridade daquele que está “por cima”. O Reino de Cristo apregoa uma autoridade daquele que está “por baixo”. Certa vez nos evangelhos surgiu uma questão entre os discípulos a respeito de quem era o maior no Reino, devido ao fato de alguns terem estado juntos com o Mestre no Monte da Transfiguração. Jesus, ao entender a questão enfatizou que participar do Reino, deveria ser a preocupação central dos discípulos, pois esta questão seria muito mais difícil do que se imaginava. Olhando para a criança o Senhor nos ensina que: 

Primeiro, para entrar no Reino de Deus é preciso uma mudança de caráter. Nosso Senhor disse: “... se não vos converterdes...” (Mt 18.3) e então colocou uma criança como modelo. A regeneração faz que voltemos ao nosso estado simples (Jo 3.3-6). A conversão a Cristo fala de uma reviravolta completa nos propósitos pessoais. Os habitantes deste Reino rejeitam os valores mundanos, comuns ao ser humano como orgulho, honra humana, posição elevada, fama, preconceito e discriminação.

Segundo, para entrar no reino de Deus é preciso aceitar o seu lugar e sua posição. Nosso Senhor diz: “...e se não vos fizerdes como crianças...” (Mt 18.3,4). A simplicidade é a característica básica do Reino de Deus. É o elemento vital de grandeza deste Reino. Jesus mostra que é impossível para qualquer um querer um relacionamento com Deus e continuar sendo orgulhoso e vaidoso. Esta simplicidade é exemplificada nas crianças que Cristo acolhe. Quando nosso caráter é moldado pela simplicidade de Cristo o comportamento faz diferença numa sociedade que enaltece o luxo, a dubiedade, o engano e a vantagem pessoal. Ao escrever aos Coríntios, o apóstolo Paulo já dizia que possuía receio de que os Coríntios passassem da simplicidade e se tornassem cegos para com a verdade do Reino de Deus (II Co 11.3). A igreja cristã em todos os tempos nunca soube lidar bem com a aparência, o dinheiro e o luxo.

Terceiro, para entrar no reino de Deus é preciso participar com aceitação e empatia cristãs. Jesus dizia: “.... qualquer que receber esta criança em meu nome a mim me recebe....” (Mt 18.5). A aceitação e a empatia são o cumprimento da Lei de Cristo onde “amar a Deus” é “amar ao próximo como a si mesmo”. Ser empático é base de fé (Rm 15.7). Acolher significa receber os que vivem à margem das estruturas sociais, religiosas e espirituais que criamos no decorrer dos anos. Por isso Nosso Senhor acolhia também as crianças, pois estas sempre eram consideradas pelos adultos desprovidas de entendimento. A prática do acolhimento e da empatia é a valorização do ser humano como imagem de Deus. Diferentemente do que muitos já fizeram na história oprimindo pessoas, raças e culturas diversas precisamos nos abrir para a igualdade e a caridade a todos: ricos e pobres, mulheres e crianças. Quando somos simples como Cristo compartilhamos do evangelho, mesmo sem notar, inconscientemente.

Portanto, ser como uma criança é buscar a simplicidade e a pureza em Cristo. Somos então orientados a olhar para a criança e desejar ser como uma delas, tendo nosso coração purificado com o evangelho e nos tornado simples. Para isso precisamos deixar o coração nas mãos de Cristo. Ser criança é viver com o coração aberto para Deus a fim de que nosso interior seja tocado por Ele para acolhermos as pessoas feitas a nossa imagem. Por isso basta ser como uma criança!



Rev. Luiz Augusto (por ocasião da EBF – Escola Bíblica de Férias)

sábado, 4 de junho de 2016

QUALIDADE NO PROJETO MISSIONÁRIO







“Se eu pedisse que descrevesse em uma só palavra a situação atual da igreja, que palavra você escolheria? AVIVAMENTO? Duvido! Mas, seria ótimo se fosse verdade. Vemos muita evangelização por toda parte. Mas o vento do Espírito parece muito suave e o ar um pouco abafado. RENOVAÇÃO? Talvez em alguns ministérios. Na maioria, porém é um negócio como qualquer outro. Para renovar a igreja é preciso haver mais do que alguns cartazes ou propaganda. REAVALIAÇÃO? Sim, há muitos estudos a respeito e esperamos que sejam úteis. Temo, entretanto, que estejamos fazendo uma autópsia. Mas o que a igreja precisa mesmo é de ressurreição. RUÍNA? Não, pois Deus está no Trono e há pessoas dispostas a ouvir e obedecer! Não importa quão sombria seja a hora, as estrelas brilham, mas temos que levantar os olhos para vê-las. Sou realista, mas não pessimista”. 

Estas são palavras do pastor Warren W. Wiersbe em seu livro “Crise de Integridade” que nos traz uma versão correta a respeito do tempo que vivemos. O momento atual sim, podemos chamar de uma “crise de caráter” na igreja evangélica brasileira e em nosso momento político ficamos atônitos vendo o proceder imoral de nossos deputados evangélicos. Nosso tempo exige dos fiéis a Cristo pelo menos duas posturas:

1. A integridade de caráter. Apesar das adversidades e do estilo “fazemos porque todo mundo faz”, os cristãos tem a disposição para continuar sendo fieis a Cristo, desejando a Glória de Deus, aprendendo a renúncia, abnegando-se na doação. Essas características marcam uma vida de caráter. Integridade não significa perfeição e procedimento intocável. Nunca seremos completos. A integridade tem mais a ver com sinceridade de caráter, sem cessão a negociatas. Ser o que somos sem usar máscaras. 

2. A Santidade de vida: Santidade não é mero abstracionismo, é a busca por um proceder piedoso, justo e irrepreensível. Santidade tem a ver com o proceder de Cristo, o Deus tão santo que só poderia ser um homem perfeito. Era tão humano que seria possível ver sua santidade em seus atos e palavras. Sem a santidade, ninguém poderá ver a Deus.

Disseram-me que o sinal chinês para a palavra “crise” é uma combinação de caracteres que significam perigo e oportunidade. Essa é a descrição perfeita para o momento da igreja. Mas o maior perigo é que podemos desperdiçar a oportunidade. 

Quais as áreas da sua vida que precisam ser renovadas pela integridade e pela santidade para que o seu projeto seja de qualidade? Para que naquele Dia nossas obras possam ser provadas pelo fogo. As obras serão passadas a fogo, não importa o quanto se fez, mas sim o como fez. Se forem como palha não haverá louvor, mas se forem como a prata e ao ouro, quanta glória será dada a Cristo!

sábado, 7 de maio de 2016

HUMILDADE EM FORMA DE MÃE


“O anjo respondeu: O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus”.(Evangelho de Lucas 1:35)

Nunca houve na história da humanidade mulher como Maria. A Mãe que participou com seu sangue da vida do Deus-Filho sentiu este “Ente” ser gerado no seu útero após receber a visita do céu. As dores provocadas pelo parto não lhe foram ocultas, viu nascer de seu ventre o Filho de Deus, criou-O, deu o peito para amamentá-lo, alimentou-O e curou as suas primeiras feridas, fruto de suas quedas quando tentava deixar de engatinhar. Ainda infante disciplinou-O, orientou-O na Lei de Moisés. Viu seu Filho crescer, ensinou-Lhe a tradição judaica e familiar, alegrou-se com suas conquistas, chorou com Ele. Já em Cafarnaum, durante Seu ministério apoiou-O abrindo as portas de sua casa para as multidões que curava e ensinava. 

Conviveu com o homem já adulto e também provou a dor de ver “seu menino” de 33 anos açoitado e torturado pelos soldados romanos. Provou a agonia de uma sentença injusta na crucificação, aprendeu a chorar muito por Ele. Esteve com o Filho quando o tiraram da cruz. Dor como esta nenhuma mãe sentiu. Maria, porém, viu o seu Filho ressurgir dos mortos e assumiu o compromisso de viver com a comunidade de seus discípulos a partir do Pentecoste na Igreja Primitiva de Jerusalém. 

Maria recebeu a Cristo duas vezes, a primeira quando disse "sim" ao anjo Gabriel, assumindo com humildade a sua maternidade. E a segunda quando espiritualmente comungou com Ele visceralmente o mistério da fé em sua alma. 

Qual mulher na história viveu toda vida ao lado do Deus-homem, que era o seu próprio Filho? Ela poderia ser a primeira a se envaidecer, a se orgulhar por ser “a mãe do Deus-Homem”! Maria poderia liderar a Igreja Primitiva. Ninguém melhor do que ela para ser a continuadora do apostolado do Filho de Deus. Maria poderia se considerar a maior, a privilegiada, a representante de Cristo na terra, mas não! Maria rejeitou o sentimento de vanglória do mundo, abominou os seus valores, descortinou diante do mundo e do sistema maligno a humildade que somente poderia vir do Deus-Homem. Ela mesma cantou: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva” (Lc 1.46).

Atualmente há inúmeros motivos para as mulheres “abrirem mão” da maternidade. Há tantos movimentos de defesa da mulher mas sem a centralidade de Cristo. Por motivos feministas e agnósticos muitas abandonam este dom por questões egoístas. Devemos buscar o exemplo da Mãe do Deus-Homem que em troca da alegria que lhe estava proposta suportou todas as intempéries da vida por amor do seu Filho. 

Hoje enquanto o mundo celebra o “Dia das mães” de modo fantasioso, minha oração é para que as mães cristãs estejam a olhar o maior exemplo de vida: Maria. Ela soube, ademais de toda honra que lhe cabe, viver revelando o Filho de Deus em si para o mundo dizendo: “Faça em mim a Tua vontade”!

Parabéns mães, mirem-se no exemplo maior!



Rev. Luiz Bueno